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Mundo Em plena pandemia de coronavírus, o presidente do Conselho Europeu de Pesquisa renuncia ao cargo

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Em sua carta, Ferrari afirma que a estratégia que desenvolveu para apoiar a pesquisa em face da pandemia foi rejeitada. (Foto: Reprodução)

O presidente do Conselho Europeu de Pesquisa (CER), uma agência da União Europeia, renunciou nesta quarta-feira (8), após criticar a resposta do bloco à nova pandemia do coronavírus. Todos os seus colegas pediram sua demissão. O italiano Mauro Ferrari anunciou sua demissão em uma carta ao jornal britânico “Financial Times”, na qual explica “ter perdido a fé no sistema”.

Em sua carta, Ferrari afirma que a estratégia que desenvolveu para apoiar a pesquisa em face da pandemia foi rejeitada pelo conselho científico do CER. “Fiquei claramente decepcionado e profundamente perturbado com essa rejeição unânime”, escreveu.

A Comissão Europeia confirmou nesta quarta a renúncia, que aconteceu um dia antes, e que “entra em vigor imediatamente conforme solicitado”, segundo um porta-voz do Executivo europeu, que lamentou a saída do professor “no início do mandato” e “em tempos de crise sem precedentes, onde o papel da pesquisa europeia é essencial”.

A Comissão enviou um pedido para que todas as nações do bloco mantenham suas fronteiras externas fechadas para viagens não essenciais até o dia 15 de maio.

O órgão ressaltou que o próprio Ferrari havia acabado de passar por um votação de confiança do restante do conselho científico do Conselho. O professor passou apenas três meses no cargo — seu mandato começou em 1º de janeiro.

Natural da Itália, o professor Mauro Ferrari fez carreira nos Estados Unidos em várias áreas de pesquisa. É considerado pioneiro em nanomedicina. Segundo ele, a rejeição de sua estratégia foi justificada pelo fato de que a missão do Conselho é apoiar projetos sem dar diretrizes sobre os objetivos, ou sobre as áreas de pesquisa. Ele explica que teve a oportunidade de trabalhar diretamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, mas que o fruto de suas reflexões havia sido “anulado” pelos vários níveis administrativos.

O CER, por sua vez, defendeu que outros programas científicos do órgão eram mais relevantes para responder à pandemia. Criado em 2007, o Conselho Europeu de Pesquisa tem um orçamento de 13 bilhões de euros para o período 2014-2020.

“A missão é apoiar o desenvolvimento de pesquisas de longo prazo, enquanto outras partes do Horizon 2020 estão mais bem equipadas para enfrentar desafios imediatos”, disse o porta-voz Johannes Bahrke, acrescentando que 50 projetos do CER, em andamento ou já finalizados, participam da luta contra o coronavírus.

Poucas horas após o anúncio, o CER publicou um comunicado muito crítico a seu ex-presidente, afirmando que os 19 membros do conselho científico da agência pediram por unanimidade sua renúncia em votação em 27 de março. “Lamentamos a declaração do professor Ferrari, que é, na melhor das hipóteses, econômica com a verdade”, diz o comunicado. “Ele não compreendeu o contexto do CER no âmbito do programa de pesquisa e inovação da UE, Horizonte 2020”.

O documento desenvolve quatro pontos que orientaram o pedido de renúncia: a “falta de apreciação da razão de ser do Conselho” por parte do professor Ferrari; sua “falta de compromisso”; suas “iniciativas pessoais” sem consulta ao conselho científico; ou seu envolvimento em “várias empresas externas, algumas acadêmicas, outras comerciais”.

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