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Brasil Em Porto Alegre, a procuradora-geral da República disse que assassinatos de líderes políticos são um atentado à democracia

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Segundo Raquel Dodge, Lula está inelegível por já ter sido condenado em segunda instância no caso do triplex em Guarujá. (Foto: Carlos Moura/STF)

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou, na manhã desta sexta-feira (16), em Porto Alegre, que “os assassinatos de líderes políticos são um atentado à democracia”, ao comentar a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Pedro Gomes, no Rio de Janeiro.

“A vereadora era importante líder política no Estado do Rio de Janeiro, defensora dos direitos humanos, que conseguiu ser a voz da comunidade contra a violência policial e a corrupção de verbas públicas”, disse Raquel. “Não é o assassinato simplesmente de uma pessoa humana, mas de uma pessoa importante, de uma líder política, defensora de direitos fundamentais. O País tem compromisso com a preservação dos direitos humanos”, prosseguiu.

Raquel afirmou que a expectativa é de que não seja necessário um pedido de federalização das investigações, mas que continua acompanhando o caso. Pedidos de federalização são feitos apenas em casos específicos, como graves violações de direitos humanos e quando há a possibilidade de haver envolvimento da polícia em determinados crimes.

“Temos um País em que o nível de impunidade ainda é elevado. A expectativa é de que acompanhemos todas as investigações com propósito de muita seriedade”, ressaltou Raquel.

Assassinatos

A vereadora e o motorista foram mortos a tiros na noite de quarta-feira (14). Bandidos em um carro emparelharam ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararam. Marielle foi atingida por pelo menos quatro tiros na cabeça. A perícia encontrou nove cápsulas de munição no local. Os criminosos fugiram sem roubar nada.

Outra passageira atingida pelos estilhaços foi levada para o Hospital Souza Aguiar e liberada. Em seguida, ela foi encaminhada para prestar depoimento na delegacia. Marielle havia participado, no início da noite do crime, de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, na Lapa.

No momento do crime, a vereadora estava no banco de trás do carro, no lado do carona. Como o veículo tem película escura nos vidros, a polícia trabalha com a hipótese de os criminosos terem acompanhado o grupo por algum tempo, tendo conhecimento da posição exata das pessoas.

Delações

A procuradora-geral participa nesta sexta-feira, na Capital gaúcha, de um encontro que reúne as forças-tarefas da Lava-Jato para celebrar os quatro anos da operação. Raquel afirmou que continua realizando tratativas para firmar acordos de delação premiada na Lava-Jato. Ela é considerada mais reticente quanto ao uso do instrumento do que o seu antecessor, Rodrigo Janot.

A chefe do Ministério Público Federal ressaltou que a Procuradoria precisa caminhar com segurança, pois a delação é um instrumento novo, sobre o qual pairam muitas dúvidas jurídicas. Ela também destacou que a lei determina o sigilo dos atores envolvidos nos acordos e do conteúdo das cláusulas. Raquel disse ainda que tão importante quanto desvendar os crimes é exigir o cumprimento dos termos da colaboração, como a apresentação de provas e o ressarcimento dos cofres públicos.

 

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