Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de março de 2018
Após quatro anos, o foco da Operação Lava-Jato deve sair de Curitiba (PR), onde já foram realizadas 49 operações, e se fixar em investigações que estão em curso em São Paulo, segundo procuradores da força-tarefa. As delações dos executivos da Odebrecht, distribuídas pelo ministro Edson Fachin em abril de 2017, sugerem investigações sobre contratos da empreiteira com governos do PSDB no estado de São Paulo, durante os mandatos de José Serra e Geraldo Alckmin, e em gestões da prefeitura da capital paulista – Gilberto Kassab (PSD) e Fernando Haddad (PT).
O chefe da força-tarefa da Operação Lava-Jato no Paraná, procurador da República Deltan Dallagnol, disse nessa sexta-feira que o STF (Supremo Tribunal Federal) pode enterrar o combate à corrupção se revisar o entendimento que autorizou a execução provisória de condenados em segunda instância da Justiça. Deltan e outros procuradores que atuam nas investigações se reuniram com a Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em Porto Alegre, para divulgar o balanço desses 4 anos de trabalho na operação.
Durante coletiva de imprensa, Dallagnol afirmou que o futuro da Lava-Jato depende do Supremo. A possibilidade de revisão da decisão que autorizou, em 2016, a prisão em segunda instância ocorre diante do recurso protocolado no STF pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pretende suspender sua condenação a 12 anos e um mês de prisão na ação penal do tríplex do Guarujá (SP).
Lei brasileira está valendo para todos
Após a reunião com os investigadores, a procuradora-geral, Raquel Dodge, destacou o trabalho da força-tarefa e ressaltou que lei brasileira está valendo para todos.
“Sabemos todos que a corrupção continua ocorrendo no Brasil em larga monta, apesar do muito que já se avançou no âmbito da Operação Lava-Jato. E, por isso, é preciso redobrar o esforço, redobrar o ânimo, redefinir estratégias, porque as pessoas que cometeram esses crimes não podem ficar impunes, não pode seguir sem reparar o dano”, disse.
De acordo com balanço divulgado na capital gaúcha, 39 investigações da Lava-Jato tramitam em tribunais superiores, sendo 36 delas no STF, envolvendo 101 investigados, e 134 delações premiadas foram assinadas e enviadas à Corte para homologação. Os processos envolvem a devolução de R$ 2,7 bilhões aos cofres públicos.
4 anos
No dia 17 de março de 2014, equipes da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal) saíram às ruas para cumprir um total de 128 mandados judiciais em seis estados, mais o Distrito Federal. Aquela megaoperação integrava quatro frentes distintas, das quais três delas foram batizadas com títulos de Ölmes clássicos: Dolce Vita, Bidone e Casablanca. A quarta ação tinha um nome mais popular e acabou se tornando o maior símbolo do combate à corrupção no País: a Operação Lava-Jato.
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