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Mundo Embaixador dos Estados Unidos no Brasil nega ter feito lobby pelo livre comércio de etanol para favorecer a campanha de Donald Trump à reeleição

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Bolsonaro e o embaixador Todd Chapman durante comemorações do dia 4 de julho, data da independência americana, em Brasília. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, negou ter feito lobby pelo fim das tarifas na importação do etanol americano sob o argumento de que isso beneficiaria eleitoralmente o presidente Donald Trump. As informações sobre o lobby levantaram suspeitas em comissões da Câmara dos EUA, que demandaram que o diplomata desse explicações até esta terça-feira (4).

“Em nenhum momento solicitei aos funcionários brasileiros que tomassem quaisquer medidas em apoio a qualquer candidato presidencial”, disse em nota divulgada pela embaixada. “Qualquer interpretação de que minha defesa de interesses comerciais de longa data, durante um ano eleitoral, foi uma tentativa para beneficiar um candidato presidencial específico é simplesmente incorreta.”

Em uma carta enviada na última sexta-feira (31), os deputados democratas Eliot Engel, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos EUA, e Albio Sires, presidente da Subcomissão para o Hemisfério Ocidental, Segurança Civil e Comércio, se disseram “extremamente alarmados” com o comportamento do diplomata. Segundo os parlamentares, o embaixador teria usado “sua posição para beneficiar a campanha” de reeleição de Trump.

Ao negar as alegações, Chapman disse que sempre levou “muito a sério” suas responsabilidades no âmbito da Lei Hatch, que os deputados o acusam de ter potencialmente violado. A medida de 1939 veta a participação de alguns funcionários do Poder Executivo em atividades político-partidárias internas ou internacionais.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), afirmou que o embaixador trabalha para o fim das barreiras comerciais argumentando ser “muito importante” para a reeleição de Trump. A eliminação das tarifas seria vantajosa para o presidente no Estado de Iowa, onde o etanol de milho é produzido.

“O meu papel nessas reuniões foi continuar a defender o comércio aberto e a cooperação em questões comerciais, bem como buscar outras áreas de interesse mútuo para o Brasil e os Estados Unidos”, afirmou o embaixador na nota.

As demandas de Engel e Sires também se referem ao fato de o diplomata ter defendido, em entrevista ao jornal O Globo, uma postagem feita pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Twitter, na qual compartilhou um vídeo da campanha de Trump.

Na ocasião, Engel reagiu à postagem do deputado na mesma rede social, dizendo que a família Bolsonaro deveria “ficar fora” da eleição presidencial nos Estados Unidos, e que o comportamento do filho do presidente brasileiro era inaceitável. Já Chapman disse ao Globo que Eduardo Bolsonaro estava exercendo sua liberdade de expressão.

Em sua carta, os dois parlamentares americanos afirmam que apesar de Eduardo Bolsonaro ter o direito de se expressar, “simplesmente não é apropriado que funcionários de governos estrangeiros, de qualquer Poder, promovam candidatos nos Estados Unidos”.

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