Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 17 de junho de 2023
Embora ainda não haja uma regulamentação ampla para a cannabis no Brasil, o setor segue se desenvolvendo e está em plena expansão, aumentando a oferta de produtos e serviços disponíveis. Na esteira disso, são criados também novos postos de trabalho para dar conta principalmente da demanda de pacientes atraídos pelas novas possibilidades de tratamento.
Apesar de o projeto de lei (PL) 399, que propõe regulamentar os usos medicinal e industrial da cannabis, estar parado no Congresso, duas resoluções da Anvisa – a RDC 327 e a RDC 660 – dão uma boa margem para que tanto empresas nacionais quanto estrangeiras possam atuar no mercado, seja por meio de importação ou da compra direta nas farmácias de produtos à base de maconha. Hoje, mais de 25 já estão autorizadas para a compra nos balcões das farmácias e há, pelo menos, mais 20 aguardando por autorização.
Atualmente, pelo menos 1.027 profissionais trabalham diretamente na indústria da cannabis no País, segundo a Kaya Mind, consultoria especializada no ramo. Ainda é um número pequeno, mas, se considerado apenas o crescimento dos postos de trabalho nesse nicho entre setembro de 2021 e setembro de 2022, houve um substancial crescimento, de 37% nas vagas, do marketing à logística.
A profissão de representante comercial de produtos de cannabis vendidos legalmente no Brasil tem puxado esse número para cima, sobretudo pelo crescimento do número de empresas que comercializam cannabis em território nacional.
No levantamento da Kaya Mind, foram consideradas apenas as pessoas que trabalham diretamente na área, empregadas por gigantes farmacêuticas, como Hypera e Biolab. Não foram incluídos profissionais que trabalham indiretamente com a cannabis, como é o caso de prestadores de serviços, como advogados e contadores, que atendem esse mercado sem exclusividade.
Os pouco mais de 15 mil médicos prescritores de cannabis que atuam no País, as centenas de funcionários de tabacarias e growshops e as dezenas de professores dos mais de 80 cursos de especialização em cannabis também não entraram na conta da consultoria, que projeta que, com a regulamentação de todos os usos da cannabis (incluindo o uso adulto), seriam geradas algo em torno de 328 mil oportunidades de trabalho no Brasil.
A tendência de crescimento das vagas de trabalho nessa indústria tem curva ascendente não apenas no Brasil, mas em diversos outros países do mundo. Nos EUA, onde 35 Estados legalizaram o uso medicinal, sendo que 22 deles também legalizaram o uso adulto da maconha, a indústria apresentou um crescimento de quase 250% no número de empregos, avançando de 122.800 em 2017 para 428.059 em 2022, de acordo com o Jobs Report Leafly, publicado no ano passado.
No meio da cannabis, costuma-se dividir as oportunidades de trabalho em duas categorias: a que toca e a que não toca planta. Tocar a planta tem um significado bastante literal e normalmente é associado ao comércio de produtos. Desde cientistas e pesquisadores que desenvolvem estudos e produtos nos laboratórios e no processamento e distribuição do insumo até os budtenders (vem do mesmo conceito dos bartenders, mas nesse caso, são especialistas em maconha), profissão bastante difundida nos EUA.
No Brasil, esses profissionais estão associados às associações de pacientes que cultivam ou processam o óleo – hoje há pelo menos 6 delas com autorização legal para cultivo. Também há aqueles que trabalham com a importação de produtos ou de matéria-prima para processamento diretamente no País.
Todo o resto ligado à cadeia produtiva, mas que não necessariamente toca a planta, faz parte da outra categoria. Comunicação, educação, vendedores de tabacarias, eventos, turismo canábico, além da parte estrutural de qualquer indústria, como RH, contabilidade, assistentes, secretárias, propagandistas etc. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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