Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 2 de abril de 2018
Um dos alvos da Operação Skala, Gonçalo Borges Torrealba, sócio do Grupo Libra, desembarcou no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, vindo de Nova York, nos Estados Unidos, na manhã desta segunda-feira (02).
Em despacho no domingo (01), o ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que os três sócios do Grupo Libra que estavam no exterior se apresentem às autoridades policiais assim que desembarcarem no Brasil para prestar depoimento.
Além de Gonçalo, Rodrigo Borges Torrealba e Ana Carolina Borges Torrealba Affonso tiveram a prisão decretada na quinta-feira (29) pelo ministro, mas estavam no exterior. Por isso, não chegaram a ser presos e, consequentemente, ainda não foram ouvidos. As prisões foram revogadas. A Polícia Federal informou que Torrealba vai depor à corporação no Rio de Janeiro.
O ministro também afirmou no documento que, após os depoimentos dos três, ele ouvirá a PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre a necessidade ou não da decretação de prisão temporária. No sábado (31), Raquel Dodge pediu a revogação das 13 prisões da Operação Skala, incluindo a dos três sócios da Libra. Horas depois, Barroso acatou o pedido e determinou a soltura de todos os alvos da operação. No pedido, a procuradora-geral da República afirmou que o objetivo das prisões, de instruir as investigações em curso, já havia sido cumprido.
A Operação Skala, deflagrada na quinta-feira pela Polícia Federal, faz parte das medidas solicitadas pela procuradora-geral da República com o objetivo de coletar provas para o inquérito que investiga se o presidente Michel Temer editou um decreto a fim de favorecer empresas portuárias em troca de propina. Temer nega.
Uma dessas empresas, a Rodrimar, foi alvo de busca e apreensão em Santos. O dono da empresa, Antônio Celso Greco, foi preso. Além dele, a PF também prendeu dois amigos de Temer – o advogado José Yunes e o ex-coronel João Baptista Lima Filho. Também foi preso o ex-ministro Wagner Rossi, um assessor dele, Milton Ortolan, e uma empresária do grupo Libra.
O que é o inquérito sobre o decreto dos portos?
O inquérito investiga o suposto pagamento de propina por empresas do setor dos portos para agentes do governo em troca de favorecimentos nos contratos. Foi instaurado a partir dos depoimentos de Joesley Batista e Ricardo Saud, delatores da Operação Lava-Jato.
Em maio de 2017, um decreto assinado pelo presidente Michel Temer aumentou o prazo das concessões das áreas portuárias de 25 anos para 35 anos, com chance de prorrogação por até 70 anos. Segundo a Procuradoria-Geral da República, esse decreto teria sido editado em troca de pagamento de propina ao presidente e seus principais aliados.
Temer é investigado na operação?
Sim. O Supremo Tribunal Federal enviou 50 perguntas elaboradas pela Polícia Federal para o presidente Michel Temer em janeiro deste ano. O delegado Cleyber Malta Lopes perguntou se o presidente foi procurado por representantes do setor de portos. Ele queria saber se Temer chegou a receber pedidos para a ampliação dos contratos.
A polícia também investiga se o presidente recebeu oferta de dinheiro, ainda que em forma de doação para a campanha eleitoral – formal ou caixa dois – para criar decretos ou dispositivos legais em benefício das empresas que atuam no setor portuário. Em gravações divulgadas em maio do ano passado, o ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures conversa com Gustavo Rocha, chefe para assuntos jurídicos da Casa Civil. Ele defende a mudança no decreto.
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