Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 13 de março de 2019
O empresário Guilherme Paulus, dono da empresa de turismo CVC Tur, admitiu em acordo de delação premiada ter pago propina a auditores fiscais e funcionários do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) para se livrar de uma multa de R$ 161 milhões aplicada pela Receita Federal.
Paulus fundou a CVC em 1972. Em 2010, o grupo americano Carlyle Group adquiriu 63,6% da empresa e Paulus foi para o conselho da companhia, que passou a se chamar CVC Brasil. Em março de 2018, Paulus pediu afastamento do cargo com o curso das investigações. A CVC Brasil não tem nenhuma relação formal com a CVC Tur e não é investigada.
A delação de Paulus gerou uma nova fase da Operação Descarte, deflagrada na terça-feira (12) pela PF (Polícia Federal) em parceria com a Receita e o Ministério Público Federal, e que culminou com a prisão temporária de Átila Reys Silva, apontado pelos investigadores como lobista responsável pela intermediação da propina.
Ele foi preso em Minas Gerais e deve responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A Operação Descarte investiga um suposto esquema de sonegação de impostos por grandes empresas, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Segundo a PF, Paulus disse em delação que Átila foi contratado pela CVC Tur para coordenar os pagamentos da propina. Ainda segundo os investigadores, ele intermediou o pagamento de R$ 39 milhões em propina a servidores públicos por meio de uma rede intrincada de escritórios de advocacia e lobistas. A PF não divulgou os auditores fiscais e funcionários do Carf que teriam recebido o dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que parte do valor teria sido remetida ao exterior e que outra parte teria sido dividida entre integrantes do grupo investigado. A investigação ainda apura se houve propina para adiantar a restituição de crédito tributário devido à CVC Tur.
Por meio de sua assessoria, o empresário Guilherme Paulus reiterou que firmou acordo com o Ministério Público Federal e a PF, tornando-se colaborador da Justiça. Segundo a nota, o empresário prestou os esclarecimentos solicitados pelas autoridades e assumiu compromisso de confidencialidade sobre seu depoimento.
Investigação começou em 2018
Em nota, a CVC Brasil informou que a empresa citada nas investigações de terça-feira (12) “não tem qualquer relação com a companhia”. Ainda segundo a empresa, “nenhuma das pessoas citadas, incluindo o Sr. Guilherme Paulus, possuem cargos executivos ou na administração da CVC Brasil Operadora e Agência de Viagens S.A”.
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