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Brasil Enem tem queda de 18% de inscritos em relação a 2017: no total, 5 milhões e 513 mil estão aptos a participar do exame

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(Foto: Inep/Divulgação)

Quase 6 milhões e 800 mil tentaram se inscrever para a edição de 2018 do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Desse total, 5 milhões e 513 mil efetivamente entraram nos requisitos e estão aptos a participar do exame. O número representa uma queda de 18% em relação a 2017, quando 6,7 milhões de pessoas se inscreveram. O balanço foi divulgado pelo MEC (Ministério da Educação), em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (29).

Segundo o ministro da Educação, Rossieli Soares, um motivo que pode ter levado a essa queda expressiva no número de inscritos é que a organização do Enem passou a exigir uma justificativa por escrito de todos aqueles que pediram isenção de taxa para o exame do ano passado e não compareceram às provas. Só assim eles poderiam ser autorizados a realizar o Enem 2018. Esta foi uma das medidas inéditas adotadas neste ano, e, como muitos estudantes não justificaram – ou não tiveram a justificativa aceita –, o índice de inscritos confirmados ficou mais baixo do que nas edições anteriores.

Este ano, o número de isenções de taxa de inscrição ficou em 3,52 milhões (63% do total) e o de pagantes foi de cerca de 2 milhões (37%). Das 222.132 pessoas ausentes no exame do ano passado e que solicitaram novamente a isenção neste ano, apenas 4.345 conseguiram justificar a ausência e ter a inscrição confirmada.

Para a diretora de Planejamento e Gestão do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Eunice Santos, a menor quantidade de inscritos este ano é resultado de um maior rigor do MEC.

“O número deste ano é realmente menor. Mas esse público é mais próximo do que realmente quer fazer o exame”, considera ela. “Ao todo, foram 1,2 milhão de inscrições a menos. Dentre aqueles que desejavam fazer novamente a prova este ano e que haviam faltado ano passado, foi preciso justificar com algum documento válido. Recebemos 222 mil justificativas, mas apenas 4.345 conseguiram de fato justificar.”

Para o diretor-executivo da ONG Educafro, Frei David Santos, o Inep prejudica os alunos mais pobres quando endurece esses critérios de isenção. Ele disse que tentará uma reunião com a pasta na quarta-feira para pedir esclarecimentos sobre a negativa das justificativas de ausência.

No ano passado, a Educafro acionou o Inep por meio da Justiça após relatos de que alunos que se enquadrariam no critério de isenção não tinham conseguido o benefício. Depois de um acordo, o Inep decidiu analisar o caso de cada estudante prejudicado e estendeu o prazo para encaminhamento de documentos.

“Conversamos com o Inep ainda nesta semana para mostrar que a norma do Enem é muito injusta para os pobres. A queda de 18% no número de inscrições é fruto disso. O órgão precisa rever essas normas. Vamos tentar uma reunião nessa semana para pedir que o Inep esclareça o motivo da recusa das justificativas. Caso isso não seja revisto, vamos entrar na Justiça”, criticou. “Há pessoas que faltam porque sequer têm dinheiro para pegar uma condução, suspender a isenção dessa pessoa é puni-la duas vezes.”

Durante a coletiva, o ministro da Educação falou sobre a greve dos caminhoneiros e a participação do MEC em questões ligadas à educação, como hospitais universitários e merenda escolar.

“Tenho acompanhando [a greve], participado junto com o presidente Temer, lembrando que o Ministério da Educação tem sobre sua gestão 50 hospitais universitários, e nossa preocupação é muito grande, para que eles [os grevistas] não tragam prejuízos para a própria sociedade. Temos conversado diariamente com as universidades e os institutos federais para ver cada caso localmente. Temos tido um avanço significativo de ontem para hoje, e o movimento vem perdendo força. Estamos tratando cada uma das situações necessárias para a melhoria dessas dificuldades. O atendimento à merenda escolar é uma responsabilidade da rede municipal de ensino, mas o MEC acompanha”, disse Rossieli Soares.

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