Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de maio de 2018
A Petrobras conta com grandes estoques de combustíveis em suas refinarias para enfrentar uma greve de 72 horas anunciada pelos petroleiros a partir desta quarta-feira, após os protestos de caminhoneiros reduzirem fortemente as saídas dos produtos das unidades desde o início da semana passada. A informação é de fontes ligadas à estatal e à própria FUP (Federação Única dos Petroleiros), responsável pela paralisação.
“O que posso dizer é que nossos estoques estão abarrotados e entupidos porque muita coisa não saiu das refinarias”, afirmou a fonte, na condição de anonimato, em referência aos protestos iniciados na segunda-feira da semana passada pelos caminhoneiros e que prejudicaram o abastecimento nos postos em praticamente todo o País.
A FUP e a FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) convocaram a categoria para uma greve nacional “de advertência”, que prossegue até esta sexta-feira. Dentre as reivindicações, os sindicalistas exigem a redução dos preços dos combustíveis e a saída do presidente da Petrobras, Pedro Parente, no cargo desde o início do governo de Michel Temer, em maio de 2016.
Além das refinarias, os trabalhadores devem aderir ao movimento nas plataformas de petróleo, terminais da Transpetro e térmicas, dentre outras unidades. Normalmente, a Petrobras coloca equipes de contingência para evitar impactos significativos na produção durante as greves.
Com os protestos de caminhoneiros chegando ao nono dia nessa terça-feira, no entanto, havia alguma preocupação de que a greve dos petroleiros pudesse ter um impacto maior do que o registrado historicamente.
Prejuízos à população
A própria FUP, entretanto, garante que a decisão da categoria em cruzar os braços por três dias não deverá trazer problemas à população. “Os tanques das refinarias estão abarrotados de derivados de petróleo, em função dos protestos dos caminhoneiros”, afirmou o coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel. “Os petroleiros sempre tiveram a responsabilidade de atender as necessidades básicas da população.”
Liminar tenta impedir
Também nessa terça-feira, a AGU (Advocacia-Geral da União) e a Petrobras apresentaram ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) um pedido de liminar para evitar a greve dos petroleiros. A ministra Maria de Assis Calsing aceitou o argumento de que a paralisação tem caráter abusivo diante da crise de abastecimento, devido à falta de motivações trabalhistas na pauta de reivindicações.
O presidente da estatal, Pedro Parente, também vê apenas natureza político-ideológica na convocação de greve. Ele assegurou que a empresa está trabalhando para que o movimento não traga repercussões maiores.
“Confiamos que os colaboradores entendam o momento e confiamos que possamos passar sem maiores consequências”, ressaltou Parente durante teleconferência com analistas de mercado nessa terça-feira. O dirigente acrescentou que tomará as medidas necessárias para garantir a continuidade das operações da empresa.
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