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Colunistas Energia inteligente exige decisões conscientes

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A transição energética não é apenas uma questão tecnológica. É, sobretudo, uma questão cultural. (Foto: GAI Media)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A transição energética não é apenas uma questão tecnológica. É, sobretudo, uma questão cultural. Redes inteligentes, geração distribuída e recursos energéticos distribuídos dependem de algo que vai além da infraestrutura: dependem da qualidade das decisões que tomamos como sociedade e como indivíduos.

O Brasil vive hoje um paradoxo. De um lado, a digitalização financeira avança com força, impulsionada pelo Pix e pelo Open Finance. De outro, milhões de brasileiros ainda estão fora da internet, como mostram os dados do IBGE e do Cetic.br. Essa exclusão digital não é apenas um problema de acesso à informação; é uma barreira direta à cidadania energética. Afinal, como participar de uma rede inteligente ou de uma comunidade de energia se não há conexão ou habilidade para usar as ferramentas digitais?

Mas há também o outro extremo: os hiperconectados. Pessoas expostas a estímulos incessantes, comparações e pressões que moldam suas escolhas sem que percebam. Como lembra Ismael Mello, o maior risco hoje não é decidir errado, mas decidir sem perceber de onde a decisão está vindo. Esse excesso de influência externa pode levar ao consumo desnecessário, ao endividamento e até à adoção de soluções energéticas sem clareza de propósito.

É nesse ponto que a transição energética se cruza com a revolução cultural da tecnologia. A energia inteligente exige consumidores conscientes, capazes de decidir não apenas com rapidez, mas com clareza. A decisão de instalar painéis solares, aderir a uma tarifa dinâmica ou participar de uma cooperativa de energia não pode ser fruto de pressão ou modismo. Precisa nascer de uma referência interna sólida, de uma compreensão real das necessidades e possibilidades.

O processo de decisão, portanto, é o verdadeiro elo entre cidadania financeira e cidadania energética. Sem inclusão digital, milhões ficam excluídos. Com excesso de estímulos, milhões ficam desorientados. Em ambos os casos, a transição perde força.

O desafio é cultural: reorganizar o mapa mental em um ambiente de excesso. Isso significa educar para a decisão consciente, ensinar a diferenciar o que vem da própria vida do que vem do ambiente. Significa também criar políticas públicas que integrem inclusão digital, financeira e energética, reconhecendo que não há futuro sustentável sem clareza decisória.

Energia inteligente não é apenas tecnologia de ponta. É também a capacidade de decidir melhor. E decidir melhor não é decidir mais rápido. É decidir a partir da própria realidade, não apenas da pressão externa.

Se quisermos uma transição energética justa e sustentável, precisamos colocar a consciência no centro. Porque redes inteligentes, geração distribuída e recursos energéticos distribuídos só serão verdadeiramente transformadores quando forem acompanhados de decisões conscientes.

* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética (Contato: rena.zimm@gmail.com)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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