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Política Enquanto o governo negocia cargos na Esplanada com o partido Progressistas e o Republicanos, PT e aliados tradicionais tentam evitar perda de postos

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(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Diante das tratativas para o ingresso de PP e Republicanos no governo Lula, com cargos no primeiro escalão, partidos que já fazem parte da base começaram a demonstrar incômodo com um possível remanejamento ou perda de espaço. De olho na movimentação do presidente e nas conversas da articulação política do Palácio do Planalto, PSB, MDB e o próprio PT passaram a enviar recados de sua insatisfação.

Um dos sinais mais claros veio do presidente do PSB, Carlos Siqueira, aliado importante durante a campanha eleitoral. A legenda viabilizou a chapa Lula-Geraldo Alckmin ao indicar o ex-governador de São Paulo para vice-presidente.

“Temos pessoas de grandes qualidades e experiência servindo ao governo e ao Brasil. Se o presidente desejar dispensar uma delas para ceder espaço para aqueles que apoiaram Bolsonaro no primeiro e segundo turnos, quem perderá será o nosso país. Isso é decisão do presidente Lula e não quero crer que ele deseja piorar a política brasileira”, disse Siqueira.

Ele tratava da avaliação, feita entre aliados no Congresso, de que o vice poderia perder a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Também se referia à possibilidade de que o Ministério de Portos e Aeroportos deixe de ser comandado por Márcio França. O PSB ainda ocupa o Ministério da Justiça, com Flávio Dino, considerado da cota pessoal de Lula.

Banho-maria

Desde o fim de semana, o presidente da República cumpre agenda em Bruxelas, na Bélgica. Ele ainda não bateu o martelo sobre a reforma ministerial esperada pelos parlamentares – tampouco acelerou o processo, que deve ser amadurecido em agosto.

Lula tem demonstrado publicamente insatisfação em relação a algumas das demandas apresentadas, como a troca em pastas como a Saúde, de Nísia Trindade, e Desenvolvimento Social, comandada por Wellington Dias (PT-PI). No Planalto, a saída de Alckmin também é vista como improvável pelo potencial de gerar desgaste entre Lula e o vice-presidente.

O Centrão, que reúne o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e outras lideranças influentes no Congresso, já fez chegar ao Planalto uma lista com as vagas que lhe interessam. O PP quer o deputado e líder da legenda, André Fufuca (MA), justamente no cargo de Dias. Também deseja o ex-ministro Gilberto Occhi de volta à presidência da Caixa, e o comando da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Uma eventual ida de Occhi para a Caixa tem a oposição do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e de Renan Filho, ministro dos Transportes. O indicado do PP é ligado a Lira, adversário político dos Calheiros, e ao presidente do partido, Ciro Nogueira (PI).

Renan diz acreditar que o partido não enfrentará alterações nos três ministérios – além de Transportes, comanda Cidades e Planejamento. Mas demonstra inconformismo com o processo:

“O governo deveria ter composto essa maioria no início, seria mais fácil”, afirmou.

Na semana passada, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, também manifestou preocupação de outra ordem: a participação feminina no primeiro escalão.

“Se porventura tiver uma mudança ministerial, vamos torcer para que sejam colocadas mulheres. O importante é a proporcionalidade, a representação de mulheres”, disse.

Na semana passada, em um sinal de aproximação, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, jantou com parlamentares da bancada do Republicanos. Na ocasião, agradeceu pela condução da legenda em votações de interesse do governo.

Já o União Brasil, que tem Integração Nacional, Turismo e Comunicações, mira em cargos de segundo escalão, como Correios e a Embratur.

Preocupado com a insistência do partido, o PT busca fortalecer o ex-deputado Marcelo Freixo na Embratur e o advogado Fabiano Silva, do grupo Prerrogativas, nos Correios.

Outra preocupação é com o Ministério do Desenvolvimento Social. Nesse caso, porém, Lula já afirmou publicamente que não pretende mexer na pasta, responsável pelo Bolsa Família, uma das principais bandeiras do partido.

Ele não fez o mesmo, porém, com a presidente da Caixa, Rita Serrano, que vem sendo bombardeada por vários partidos, até mesmo entre petistas. Integrantes da articulação política acreditam que a troca no comando do banco é a mais fácil de ser viabilizada no momento.

Outro embate gira em torno da Funasa. O governo planeja ouvir PP, União Brasil e PSD para definir a presidência e as diretorias do órgão. A fundação havia sido extinta pelo Executivo, mas foi recriada pelo Congresso, que deixou a medida provisória perder a validade.

Essas siglas querem turbinar a Funasa e que ela fique vinculada à Saúde. Já o MDB e alas do governo querem dar protagonismo ao ministro das Cidades, Jader Filho, e deixar a autarquia sob seu guarda-chuva — possivelmente com uma estrutura mais enxuta.

Em uma conversa por telefone há duas semanas, Lula assegurou a Lira, de forma genérica e sem citar cargos, que a Câmara estará mais representada no governo. No entanto, os pedidos são considerados altos demais para uma parcela do governo. Dentro do próprio PP, há uma avaliação de que a legenda não terá tudo.

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