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Geral Entenda como está o caso da acusação de Ronaldinho no Paraguai

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Ronaldinho é suspeito de usar documentos falsificados no Paraguai. (Foto: Ministério Público do Paraguai)

Um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, Ronaldinho Gaúcho se encontra atualmente preso em uma cadeia em Assunção, no Paraguai. Ele deixou os gramados, mas seus fãs jamais o esqueceram. Seus dribles e sua genialidade com a bola nos pés o transformaram em uma estrela mundial. No Brasil, o astro é Embaixador do Turismo do governo Bolsonaro e, por enquanto, mantém o cargo, apesar das investigações. No início deste mês, no entanto, o astro virou assunto nas páginas policiais e foi parar na prisão, por suspeita de usar documentos falsificados no Paraguai. Ele já tinha um histórico de polêmicas, mas nada parecido com o que vive atualmente. Ronaldinho foi algemado e levado para um presídio na capital do país vizinho.

Tudo começou quando ele chegou ao Paraguai para participar de dois eventos. Uma ação beneficente e o lançamento de um livro. Quando estava no hotel, com seu irmão, viu seu mundo desabar. Havia documentos falsos em seu poder e ele não soube explicar do que se tratava. Havia passaportes e cédulas de identidades do Paraguai com seu nome. Seu e do seu irmão, Roberto Assis.

A polícia do Paraguai fez buscas no Hotel Resort Yacht y Golf Club, em Lambaré, vizinho a Assunção, onde estava hospedado Ronaldinho e seu irmão. Ambos ficaram detidos no hotel durante a apuração do caso pelas autoridades.

O promotor Federico Delfino, responsável pela investigação contra os dois ex-jogadores, afirmou na manhã do dia 5 que Ronaldinho e seu irmão ficariam à disposição da Justiça do Paraguai por tempo indeterminado. No mesmo dia ambos prestaram depoimento na sede do Ministério Público paraguaio, em Assunção. Ronaldinho disse que os documentos eram “presentes” de um empresário.

No mesmo dia, o advogado encarregado de representar Ronaldinho e seu irmão disse que o ex-jogador decidiu não deixar o Paraguai até que o processo judicial contra ele fosse resolvido. A presença de Ronaldinho no Paraguai com documentos supostamente falsos provocou uma crise política no país, especialmente pela demora das autoridades para apontar e investigar as irregularidades. Uma das consequências foi a renúncia do diretor de migração do país, Alexis Penayo.

O Ministério Público do Paraguai decidiu não apresentar acusação formal contra Ronaldinho e seu irmão. O ex-jogador admitiu a prática do crime de utilização de documentação falsa, mas a promotoria considerou que eles foram enganados e solicitou a aplicação do “critério de oportunidade” por terceiros. Após quase 24 horas dos primeiros procedimentos e um longo dia de depoimentos na quinta-feira, o promotor Federico Delfino informou que os brasileiros não seriam acusados e que solicitaria a liberação de ambos.

A reviravolta do caso aconteceu no dia 6, quando Mirko Valinotti, juiz criminal de Garantias de Assunção, decidiu rejeitar o pedido do Ministério Público para não abrir processo contra os ex-jogadores. O Ministério Público, então, anunciou a investigação de um possível esquema de falsificação de documentos que envolve funcionários públicos e pessoas do setor privado do país.

Cumprindo mandado emitido pela Procuradoria Geral da República, a Polícia Nacional do Paraguai ordenou a prisão do ex-jogador e seu irmão no dia 6. Ronaldinho e Assis estavam no Sheraton Hotel, localizado a poucos minutos do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi. Depois de serem presos preventivamente em Assunção, eles deixaram o complexo da Agrupação Especializada da Polícia Nacional do Paraguai, onde passaram a noite em uma cela e foram algemados para audiência.

Em meio à audiência que poderia definir a continuidade ou não de Ronaldinho na cadeia, o promotor da unidade especializada de delitos econômicos Osmar Legal ratificou o pedido de prisão preventiva. Na sequência, a juíza Clara Ruiz Díaz determinou a manutenção da prisão. Sendo assim, os dois brasileiros seguem detidos no complexo da Agrupação Especializada da Polícia Nacional do Paraguai.

Os advogados de Ronaldinho e seu irmão entraram com pedido para prisão domiciliar. O Ministério Público recusou, embora o craque tenha dado como garantia de que não iria fugir um imóvel no valor de cerca de R$ 4 milhões. Poucos minutos depois, o juiz Gustavo Amarilla recusou o pedido alegando que temia uma fuga ou obstrução nas investigações por parte do ex-jogador. O Ministério Público do Paraguai indiciou cinco pessoas, sendo quatro funcionários públicos, que supostamente facilitaram a entrada de Ronaldinho e Assis no país com passaportes falsos.

Investigadores paraguaios buscam informações se Ronaldinho e Assis têm ou não ligação com uma organização criminosa estruturada para falsificar documentos e especializada em lavagem de dinheiro. A quadrilha contaria com a participação de empresários e funcionários públicos para facilitar a operação de negócios ilegais no país. Os celulares dos dois serão vasculhados para buscar pistas e reler antigas conversas, e-mails e mensagens. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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