Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de agosto de 2020
O sistema que elege um presidente nos Estados Unidos é diferente do usado no Brasil e em outros países. Não basta ter a maioria dos votos diretos dos eleitores no dia da eleição, que em 2020 será em 3 de novembro.
Na verdade, algumas vezes isso nem adianta. Em 2016, por exemplo, Hillary Clinton teve mais votos diretos, mas não foi eleita e Donald Trump virou presidente. Por isso este ano, por mais que Joe Biden apareça à frente em todas as pesquisas, ainda é possível que Trump consiga se reeleger mesmo perdendo novamente nas urnas.
O que um candidato à presidência dos Estados Unidos precisa mesmo é conquistar a maioria dos votos dos delegados que compõem o Colégio Eleitoral.
Isso porque quando os eleitores norte-americanos votam, eles na verdade estão decidindo para quem vão entregar os delegados de seus estados. E estados com mais habitantes têm mais delegados no Colégio Eleitoral.
A Califórnia, por exemplo, estado mais populoso do país, com quase 40 milhões de habitantes, está dividida em 53 distritos eleitorais. Já o Kansas, um estado pequeno, com menos de 3 milhões de pessoas, tem apenas quatro distritos eleitorais.
Considerando que cada estado ganha um delegado por distrito e mais dois (um para cada senador que possui no Congresso), a Califórnia tem no total 55 delegados e o Kansas seis – o que deixa bem clara a influência de cada um.
O sistema do Colégio Eleitoral existe justamente para que estados mais populosos tenham peso maior na decisão. Por isso os candidatos lutam tanto para se dar bem em estados como Califórnia, Flórida e Texas, por exemplo, que, juntos, têm 133 delegados – quase 25% do total.
Ganhador leva tudo
Para ajudar, quase todos os estados – com exceção apenas de Maine e Nebraska – adotam um sistema chamado winner-take-all (ganhador leva tudo), no qual o candidato que conseguir o maior número de delegados fica com todos. Ou seja, se alguém conquistar 28 dos delegados da Califórnia…leva os 55.
Em geral, existem estados que são tradicionalmente republicanos, outros onde democratas ganham praticamente sempre – mas a briga de verdade acontece naqueles conhecidos como “swing states”, onde não há tanta fidelidade e os resultados variam de acordo com cada eleição. Carolina do Norte, Ohio, Pensilvânia e mesmo a Flórida estão entre eles e podem ser decisivos.
Somando todos os 50 estados dos EUA (mais o distrito de Columbia), existem 538 delegados em disputa, e se torna presidente o candidato que assegurar o voto de pelo menos 270 deles.
Corrida eleitoral
E se o ex-vice-presidente de Barack Obama aparece com larga vantagem nas pesquisas, a corrida presidencial ainda está longe do fim, como destacaram Victor Scalet, analista político da XP Investimentos, e Pedro Costa Junior, cientista político e professor de Relações Internacionais da FACAMP.
Para eles, as convenções serviram bastante para mostrar qual será o tom da eleição e quais os temas que devem ser os mais debatidos entre os dois daqui até o dia do pleito, em 3 de novembro.
Junior destaca que, como já era esperado, o tom de Joe Biden foi mais moderado se comparado ao de Trump, deixando ao ex-presidente Barack Obama o papel de ser mais duro no discurso contra o atual governo.
Além disso, ele aponta que uma imagem que a Convenção passou foi de união entre os democratas, algo diferente do que ocorreu quando Hillary Clinton foi a candidata em 2016. “O Joe Biden é uma figura muito agregadora, ele conseguiu unir muito forte o partido”, diz Junior ressaltando até que alguns nomes republicanos já indicaram seu voto no democrata.
Já do outro lado, Scalet aponta que os republicanos destacaram muito o combate do atual governo à pandemia do coronavírus, culpando a China pela crise. “Na convenção eles tentaram dar um clima de que o país está caindo num caos de segurança, principalmente nas cidades governadas por democratas”, afirma.
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