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Economia Escândalo de espionagem coloca a Apple sob pressão

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Milhares de iPhones estão potencialmente comprometidos, segundo a vice-diretora da unidade de tecnologia da Anistia Internacional. (Foto: Apple/Divulgação)

A Apple está sob pressão para colaborar mais com seus rivais do Vale do Silício para afastar a ameaça comum representada pelas tecnologias de vigilância, depois que um relatório apontou que o “spyware” Pegasus, do NSO Group, teria sido usado contra jornalistas e ativistas de direitos humanos.

A Anistia Internacional, que analisou dezenas de smartphones visados por clientes do NSO, declarou que o marketing da Apple de que a segurança e a privacidade de seus dispositivos são superiores foi “destruído” pela descoberta de vulnerabilidades até nas versões mais recentes dos seus iPhones e de seu software, o iOS.

“Milhares de iPhones estão potencialmente comprometidos”, afirmou Danna Ingleton, vice-diretora da unidade de tecnologia da Anistia Internacional. “Esta é uma preocupação mundial. Todos estão em risco, e até mesmo gigantes da tecnologia como a Apple estão mal equipados para lidar com a enorme escala da vigilância disponível.”

Pesquisadores da área de segurança dizem que a Apple poderia fazer mais para enfrentar o problema se trabalhasse com outras empresas de tecnologia para compartilhar detalhes sobre vulnerabilidades e verificar suas atualizações de software.

“Infelizmente a Apple não faz um bom trabalho nessa colaboração”, disse Aaron Cockerill, diretor de estratégia da Lookout, um provedor de segurança para telefonia móvel. Ele descreveu o iOS como uma “caixa preta” em comparação com o Android do Google, no qual é “muito mais fácil identificar comportamentos maliciosos”.

A Anistia Internacional trabalhou com o Forbidden Stories, um grupo de jornalismo sem fins lucrativos, e mais 17 meios de comunicações parceiros no Projeto Pegasus, destinado a identificar supostos alvos de vigilância.

A NSO, que insiste em que sua tecnologia foi projetada apenas para ser usada contra criminosos ou suspeitos de terrorismo, tem classificado as conclusões do Projeto Pegasus de “alegações falsas” e “cheias de suposições erradas e teorias não corroboradas”.

A pesquisa da Anistia Internacional descobriu que várias tentativas de roubar dados e escutar clandestinamente conversas de usuários de iPhones foram feitas por meio do iMessage da Apple, com o uso dos chamados ataques de “clique zero”, que funcionam sem o usuário ter de fazer nada.

Bill Marczak, pesquisador do Citizen Lab, um grupo sem fins lucrativos que tem documentado de forma extensiva as táticas do NSO, disse que as descobertas da Anistia Internacional sugerem que a Apple tinha um “grande problema de alarme de incêndio de categoria 5 piscando no vermelho sobre a segurança do iMessage”.

Um tipo semelhante de ataque de “clique zero” do Pegasus foi identificado em 2019, desta vez contra o aplicativo WhatsApp, de propriedade do Facebook.

O diretor do WhatsApp, Will Cathcart, classificou as últimas revelações como “um chamado de alerta para a segurança na internet”. Em uma série de postagens no Twitter, ele apontou para as medidas que empresas de tecnologia como Google, Microsoft e Cisco têm buscado para se opor ao Pegasus e outras ferramentas comerciais de spyware.

Mas a Apple, com a qual o Facebook mantém uma rivalidade antiga a respeito dos controles de privacidade do iPhone, não estava em sua lista de colaboradores.

“Precisamos de mais empresas e, de forma crítica, de governos para tomar medidas para responsabilizar a NSO”, disse Cathcart.

Cockerill, da Lookout, disse que a Apple faz “um grande trabalho de proteção os consumidores”, mas “deveria ser mais colaborativa com empresas como a minha” para protegê-los de ataques como os do Pegasus. “A grande diferença entre a Apple e o Google é a transparência”, afirmou Cockerill.

A Apple insiste que colaborou com pesquisadores de segurança externos, mas prefere não divulgar essas atividades. Entre elas está o pagamento de milhões de dólares por ano em “recompensas de segurança” para quem detectar vulnerabilidades e o fornecimento de seu hardware para pesquisadores.

“Por mais de uma década, a Apple tem liderado o setor na área de inovação de segurança e, como resultado, os pesquisadores de segurança concordam que o iPhone é o dispositivo móvel para consumidores mais seguro do mercado”, argumentou a Apple em um comunicado.

“Ataques como os descritos são altamente sofisticados, custam milhões de dólares para serem desenvolvidos, geralmente têm uma vida útil curta e são usados para atingir indivíduos específicos”, continuou a Apple. “Embora isso signifique que eles não são uma ameaça para a esmagadora maioria de nossos usuários, continuamos a trabalhar sem descanso para defender todos os nossos clientes e acrescentamos constantemente novas proteções para seus dispositivos e dados.” As informações são do jornal Financial Times.

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