Sábado, 19 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de setembro de 2026
Os primeiros-ministros do País de Gales, da Escócia e da Irlanda do Norte declararam que “o tempo de Westminster está chegando ao fim” e que o governo do Reino Unido deve “se preparar” para uma mudança constitucional. As três nações formam, junto com a Inglaterra, o Reino Unido, cuja sede do parlamento fica no Palácio de Westminster, em Londres.
Os líderes nacionalistas do Plaid Cymru (Partido do País de Gales), do Sinn Féin (partido da Irlanda do Norte) e do SNP (Partido Nacional Escocês) – que desejam a saída de seus países do Reino Unido – assinaram um acordo nessa segunda-feira (14) que afirma que nenhum governo do Reino Unido tem o direito de “bloquear a democracia”.
Mas enquanto o escocês John Swinney e a norte-irlandesa Michelle O’Neill defenderam a realização de referendos, o galês Rhun ap Iorwerth se recusou a apresentar um calendário para um referendo em seu país.
O Partido Trabalhista e o Partido Reformista, ambos do Reino Unido, acusaram o Plaid Cymru de querer desmembrar o reino.
A expectativa é que um acordo sobre a “futura colaboração em áreas de interesse comum” seja assinado ainda nesta segunda entre o País de Gales e a Escócia.
Pela primeira vez desde o início da descentralização de poderes, no fim da década de 1990, o País de Gales, a Escócia e a Irlanda do Norte têm primeiros-ministros que desejam deixar o Reino Unido.
“Para quem nos observa em todas estas ilhas, para quem nos observa em todo o mundo, não poderia haver sinal mais claro de que o tempo de Westminster está chegando ao fim”, dizia o memorando de entendimento desta segunda.
“Nenhum governo de Westminster tem o direito de bloquear a democracia ou minar o princípio de que o nosso povo decidirá o seu próprio futuro.”
“Reconhecemos que nossos partidos têm posições constitucionais diferentes e que cada nação determinará seu próprio futuro à sua maneira e no seu próprio tempo.”
Um porta-voz do Plaid Cymru, do País de Gales, declarou antes da reunião que a “mudança no cenário político destas ilhas” justificava plenamente a “cooperação política prática” em áreas como energia, economia e colaboração com a Europa.
Ele acrescentou que isso também incluía “as questões políticas e constitucionais mais amplas que nossas nações enfrentam e o direito à autodeterminação”.
O líder Ap Iorwerth afirmou que as eleições galesas de maio — que resultaram em uma vitória histórica do nacionalista Plaid Cymru — representaram “um ponto de virada para o País de Gales” e que havia “um reconhecimento crescente de que o modelo de Westminster não funciona mais”.
O Plaid Cymru descartou um referendo sobre a independência antes das próximas eleições para o Senedd (Parlamento galês), em 2030.
O líder do escocês SNP, Swinney, disse que esta reunião de segunda foi um “momento crucial na jornada constitucional do Reino Unido”.
Ele disse que as eleições de maio passado em cada nação criaram uma situação em que os primeiros-ministros acreditam que “seus países devem decidir seu próprio futuro”.
“Esse princípio de autodeterminação é um direito alienável”, disse ele.
Swinney descreveu Andy Burnham como o “último primeiro-ministro do Reino Unido”.
“Porque o povo da Escócia, se tiver a oportunidade de escolher a independência em um referendo, fará essa escolha.”
Mary Lou McDonald, presidente do Sinn Féin, descreveu a reunião como “histórica”, dizendo: “Temos o direito ao referendo. Temos o direito de decidir o nosso futuro.”
“Não aceitaremos nem toleraremos que nenhum primeiro-ministro nos diga que esse direito está fora de questão.”
A primeira-ministra da Irlanda do Norte, O’Neill, disse que as três nações eram “distintamente diferentes” e tinham suas próprias prioridades.
Mas ela afirmou também que “a causa comum aqui é que Westminster não serve e nunca servirá bem ao nosso povo”.
Questionado pela BBC sobre o significado do memorando de entendimento para o País de Gales, e se isso implicava pedir a Westminster que não bloqueasse um referendo sobre a independência galesa, ap Iorwerth disse que “cabe ao povo do País de Gales decidir o seu próprio futuro”.
Mas, perguntado novamente, ele disse: “Sabe, eu prefiro deixar a questão do cronograma nas mãos do povo do País de Gales.”
Ele acrescentou: “O cronograma será definido pelo povo do País de Gales quando eles estiverem convencidos. Meu trabalho é convencer.”
O governo galês não tem competência para realizar tal referendo, mas ap Iorwerth disse em entrevista coletiva que gostaria de ver essa atribuição transferida para o país. As informações são da BBC News.
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!