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Mundo Espanha contestará validade do plebiscito alegando irregularidades

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Polícia arrasta manifestantes em Barcelona. (Foto: Reprodução)

O plebiscito separatista catalão deste domingo (1º), considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional, será contestado pelo governo espanhol com base nas irregularidades registradas durante o dia. Se o Parlamento catalão declarar a independência de maneira unilateral nas próximas 48 horas, como ameaça fazer, Madri vai insistir que essa consulta não teve valor.

Eleitores votaram em alguns pontos da cidade em urnas transparentes depositadas no meio da rua, sem serem identificados com documentos oficiais, razão pela qual o governo central teme que foi possível um cidadão votar mais de uma vez. Tampouco era comprovado se o votante estava registrado.

Há diversas imagens de votos em grupo, com eleitores depositando cédulas simultaneamente. Em um vídeo, uma urna carregada pelas ruas se abre e os votos caem na calçada molhada pela chuva fria da manhã.

O jornal espanhol “El País”, em dura crítica, avaliou que este plebiscito ocorre dessa maneira “sem cumprir as garantias mínimas”. O governo catalão também será questionado por ter anunciado novas regras à votação menos de uma hora de seu início, às 9h locais (4h em Brasília). Barcelona decidiu, por exemplo, que eleitores poderiam votar em qualquer ponto eleitoral, e não apenas onde eles estavam registrados para tal.

A Catalunha também permitiu o voto sem envelopes. Isso é problemático porque, a rigor, a exigência de um envelope permite anular votos duplos -se há mais de uma cédula, ela não vale.

Não deverá ser possível, ainda, contar os votos de maneira oficial. O governo espanhol interditou os serviços catalães de telecomunicação, impedindo o gesto. Como a polícia cortou o acesso à internet em diversos colégios eleitorais, o registro dos votos era feito à mão. “Não estamos diante de um plebiscito que possa ter um resultado vinculante”, afirmou Miquel Iceta, líder dos socialistas catalães. “É um simulacro de votação.”

Enric Millo, delegado do governo espanhol na Catalunha, disse que o plebiscito era uma “farsa” e culpou o presidente catalão, Carles Puigdemont, pelos embates. “Ele impulsionou a população a ir às ruas sabendo que o juiz havia dado instruções claras de impedir o voto.”

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