Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 30 de setembro de 2017
Milhares de pessoas se manifestaram neste sábado (30) em diversas cidades do país na véspera de um referendo pela independência da região autônoma da Catalunha convocado por separatistas. Grupos em defesa da unidade da Espanha carregavam bandeiras do país, enquanto grupos menores defendiam a separação.
Em Madri, os manifestantes se concentraram em frente à Prefeitura, na Plaza de Cibeles, no coração da capital, convocados por um coletivo conservador – a Fundação para a Defesa da Nação Espanhola (Denaes). Em meio a uma onda de bandeiras nacionais, os manifestantes carregavam faixas com mensagens como “Catalunha é Espanha”, “viva Espanha” e até “Prisão a Puigdemont”, em referência ao presidente regional catalão, Carles Puigdemont.
“Não devíamos ter chegado a isto. Chegamos a um ponto sem volta”, lamentou à AFP Fernando Cepeda, um engenheiro de 58 anos que foi à manifestação com uma camiseta na qual estava escrito um artigo da Constituição espanhola: “A soberania nacional reside no povo espanhol, do qual emanam os poderes do Estado”.
Ao seu lado, Rafael Castillo, também engenheiro, mostrava-se crítico ao governo espanhol: “O Estado tem que fazer política, tem que convencer de que o melhor é ficarmos juntos, em vez de repetir o tempo todo que o referendo é ilegal. Mas na Espanha não há nenhum líder”.
Já o professor de matemática Eduardo García, de 32 anos, acusou os nacionalistas catalães de terem instigado “os sentimentos mais baixos do povo”, ao pedir a independência perto da crise econômica dos últimos anos. “Isso tudo é muito triste”, lamentou.
Em Barcelona, uma manifestação similar reuniu centenas de pessoas na praça Sant Jaume, onde ficam a Prefeitura e o palácio da Generalitat, órgão regional de governo da Catalunha. Também houve concentrações pró-unidade da Espanha em Valhadolid, Santander, Sevilha, Málaga (sul), Valência (leste) e Alicante (sudeste). Na Galícia (noroeste), foram convocadas manifestações em La Coruña e em Santiago de Compostela. Nesta última cidade, aconteceu também uma marcha a favor do referendo de autodeterminação da Catalunha, na qual se viram bandeiras separatistas galegas e catalãs. Houve ainda pequenas concentrações a favor da consulta em Madri.
Preparação para o referendo
O governo regional afirma que “está tudo pronto” para a realização do referendo nas mais de 2 mil seções eleitorais, e os organizadores dizem que 60 mil pessoas já se inscreveram. No entanto, o governo espanhol considera o referendo ilegal, reivindicando que a Constituição declara que o país é indivisível, e diz que ele não irá ocorrer. 5,3 milhões de cidadãos estão convocados a votar.
Na última sexta, o chefe da polícia da Catalunha ordenou que os policiais desalojem sem violência todos os centros de votação no domingo às 6h (horário local). Alguns colégios eleitorais foram ocupados por defensores do referendo para impedir que os locais fossem fechados, como foi solicitado pela juíza que investiga o governo regional por desobediência, desfalque e prevaricação.
O governo espanhol também confiscou cédulas e materiais de propaganda eleitoral, ordenou o bloqueio dos sites oficiais com informações sobre a votação, e deteve membros importantes do governo regional na organização do referendo, que foram colocados em liberdade condicional. Para o domingo, enviou à região 10 mil policiais como reforço para impedir as pessoas de votarem.
Sentimento separatista
Os separatistas são maioria no Parlamento catalão desde 2015, mas as pesquisas indicam que a sociedade catalã está muito dividida. A última pesquisa feita pelo governo catalão, em junho, mostrou que 49% eram contra a independência e 41% a favor. No referendo de 2014, que também foi declarado inconstitucional por Madri, quase 1,9 milhão (80%) de catalães votaram pela independência, embora a participação tenha sido de 37%.
O embate entre autoridades da Catalunha e do governo central da Espanha em torno do referendo independentista desperta a curiosidade sobre o movimento separatista na região e suas motivações. O sentimento separatista surge de uma soma de diversos fatores, entre eles históricos, culturais e econômicos.
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