Sexta-feira, 15 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 21 de dezembro de 2020
Apesar de as vacinas desenvolvidas contra o novo coronavírus começarem a ser aplicadas em alguns países, sua eficácia voltou a ser questionada. Não por causa de sua qualidade, mas devido a possíveis mutações do vírus, identificadas principalmente no Reino Unido nas últimas semanas, e que já infectaram milhares de pessoas.
Mas será que essa nova cepa, como é chamada, é preocupante? As vacinas também previnem contra ela? O vírus é mais agressivo nesse caso? Especialistas na área responderem a essas questões. Em resumo, tudo isso ainda é muito novo, mas já era esperado, e precisa ser minuciosamente estudado.
Segundo a infectologista Helena Brígido, mutações são esperadas em qualquer tipo de vírus, ou seja, não seria uma exclusividade do coronavírus. “As mutações são como estradas. Os vírus mutam toda vez que eles estão em um ambiente em que eles precisam se alterar para sobreviver e espalhar, além de vários outros fatores”, disse.
De acordo com a médica, até o momento, não há comprovação científica de como essas mutações podem afetar na eficácia das vacinas e na severidade da doença. “O que nos deixa aliviados, se assim podemos dizer, é que até onde a gente sabe, qualquer vacina que vier será eficaz. Isso de acordo com os estudos que foram feitos até o momento”, explica.
“Ao que tudo indica, essas mutações podem contribuir para uma possível reinfecção. Mas ainda não se sabe se a doença será mais moderada, mais grave ou a mesma coisa. Provavelmente, terá o mesmo efeito. Quem já teve, teria os sintomas mais leves, e quem tem comorbidade, os sintomas mais graves, mas ainda é cedo para precisar isso”, comentou Helena.
A virologista e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Betânia Paiva Drummond, corrobora essa opinião. Para ela, ainda é preciso haver e concluir estudos que indiquem o que essas mutações podem causar nos seres humanos.
“Mutação em vírus sempre ocorre, natural. Isso não quer dizer que elas vão resultar em um vírus mais perigoso ou que seja transmitido mais facilmente, pois nada disso foi provado ainda. O que os cientistas observaram é que há uma nova linhagem circulando, mas ainda não sabemos qual o impacto biológico disso”, afirmou.
“Pelo que foi analisado, parece que essa mutação não vai afetar a capacidade de as vacinas protegerem contra o coronavírus. Mas eu acho importante frisar: essa mutação é como outras que estão ocorrendo, pode ser um simples acaso, mas que ainda está sendo estudado”, completou.
O infectologista Leandro Curi usou como exemplo a gripe H1N1, que ficou famosa no Brasil em 2009 após causar a morte de mais de 2.000 brasileiros e ainda ser uma doença desconhecida pela maioria. De acordo com o médico, as mutações também acontecem com esse vírus, e por isso, as vacinas vão se adaptando.
“O vírus é mutante por natureza. É como se eles mudassem de roupa o tempo todo, devido a eventos aleatórios. O H1N1, por exemplo, muda todo ano, e por isso temos que ir mudando a vacina também. A imunidade do ano passado não é a mesma desse ano”, comentou.
“No caso do coronavírus, era bem plausível que isso acontecesse uma hora ou outra. Mas, por enquanto, a vacina não deve mudar, até porque vai depender de onde o vírus mudou. Foi na parte que o liga ao ser humano? Se sim, até podemos ficar preocupados, pois pode ser que a vacina de hoje não contemple. Mas isso ainda precisa de estudo”, disse.
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