Quarta-feira, 01 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 1 de julho de 2026
O governo dos Estados Unidos anunciou nessa quarta-feira (1º) sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas em São Paulo e uma empresa portuguesa suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A gestão de Donald Trump disse também que a facção paulista “agora é a maior organização criminosa transnacional do hemisfério ocidental” — termo que a Casa Branca usa para se referir a todo o continente americano, não ao Ocidente.
A decisão americana foi adotada com base em duas ordens executivas (uma espécie de decreto presidencial): a 14059, que tem como objetivo combater a produção proliferação de drogas; e a 13224, que autoriza sanções contra pessoas ou organizações consideradas terroristas e seus apoiadores.
As medidas foram anunciadas pelo Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro americano.
O órgão afirma que os suspeitos utilizavam empresas de fachada para receber o dinheiro obtido com atividades criminosas realizadas nos Estados Unidos e enviá-lo para integrantes do PCC no Brasil.
Os principais alvos das sanções são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
Segundo o Tesouro americano, Shimada atuava como principal elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais, tendo lavado mais de US$ 30 milhões (R$ 156 milhões) oriundos de atividades criminosas em diversas cidades americanas por meio de transferências em criptomoedas.
Um escritório de advocacia que representa Shimada em processos no Brasil afirmou, ao ser procurado pela Folha, que renunciou nesta quarta de todos os processos em que atuava em favor dele. A reportagem não encontrou outros advogados que o representem.
Segundo o comunicado, Shimada recorria a uma rede de empresas para ocultar a origem dos recursos ilícitos e escapar da fiscalização enquanto recebia dinheiro gerado nos Estados Unidos e o lavava para o PCC no Brasil.
Essa estrutura empresarial incluía a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., a Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. e a Wave Construções Inteligentes Ltda., todas sediadas em São Paulo. Segundo o Tesouro, as empresas eram utilizadas para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras e dificultar a identificação da origem dos recursos.
Além das empresas brasileiras, o governo americano também sancionou a Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., registrada em Portugal.
Segundo as autoridades americanas, Stella, apontada como colaboradora próxima de Shimada, atuava como sua secretária e auxiliava na retirada de grandes quantias, prestando suporte logístico às operações de lavagem.
O Departamento do Tesouro afirma que o PCC representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos Estados Unidos. Segundo o governo, integrantes da organização atuam em território americano, especialmente na Flórida, para lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas e financiar outras atividades criminosas.
Em janeiro deste ano, o FBI (a Polícia Federal americana) prendeu seis integrantes da célula da organização baseada na Flórida, que posteriormente foram denunciados por lavagem de dinheiro perante a Justiça Federal americana. As sanções anunciadas agora miram, segundo o governo, a estrutura financeira da organização instalada no Brasil.
“O crime organizado no Ocidente não pode ser autorizado a estabelecer operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a desordem”, afirmou Gene Lange, que exerce as funções de subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira.
O comunicado também afirma que investigações conduzidas no Brasil identificaram uma operação de lavagem de dinheiro controlada pelo PCC que utilizava uma rede chinesa de distribuição de eletrônicos e uma plataforma chinesa de comércio eletrônico para movimentar mais de US$ 190 milhões (R$ 990 milhões) em apenas sete meses.
As sanções determinam o bloqueio de todos os bens e interesses patrimoniais dos alvos que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos. Além disso, empresas e pessoas dos EUA ficam proibidas, em regra, de realizar transações com os sancionados, enquanto instituições financeiras estrangeiras que mantenham negócios relevantes com eles também poderão ser alvo de sanções.
Esta é a terceira vez que o Ofac adota medidas contra o PCC. A facção foi sancionada pela primeira vez em dezembro de 2021 por envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Em março de 2024, o órgão também aplicou sanções contra Diego Macedo Gonçalves do Carmo, apontado como operador financeiro da organização. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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