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Colunistas Estaria Boulos sendo preparado para sucessão de Lula no PT?

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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), diz ver uma chantagem do mercado no debate sobre ajuste fiscal. (Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O PSOL foi fundado em 2004 como fruto de um racha importante dentro do PT. O contexto da dissidência, à época, foi a Reforma da Previdência do Governo Lula em 2003.

Setores mais à Esquerda do PT criticavam termos da Reforma que, em parte, tiravam direitos e suprimiam aposentadorias de servidores públicos. Foi nesse ambiente de discordância que senadores, deputados e outros membros do PT foram expulsos ou deixaram o partido, como Heloiza Elena, Luciano Genro, entre outros. Essas dissidências fundaram o PSOL.

É muito mais recente o surgimento de Guilherme Boulos como a principal figura do PSOL. Tendo feito sua vida política exclusivamente dentro de Movimentos Sociais como o MTST, Boulos ganha notoriedade liderando a Frente Povo Sem Medo nos anos do Impeachment de Dilma Roussef, lutando contra a derrubada da Presidente e as subsequentes reformas de Michel Temer. Foi em 2018 que Boulos filiou-se ao PSOL chegando imediatamente com status de pré-candidato à Presidência da República.

Boulos vira Ministro do Governo Lula

Boulos nunca venceu as eleições majoritárias que disputou pelo PSOL, mas elevou o nível da sigla indo duas vezes para o segundo turno na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Ele foi também o Deputado Federal mais votado do Estado de São Paulo em 2022. Boulos aceita, porém, em 2025, integrar o Governo Federal petista e se torna Ministro-Chefe da Secretaria Geral da Presidência no governo Lula.

A aproximação de Boulos com o Governo Lula marca, inegavelmente, um caminho de ruptura do agora Ministro com seu partido, o PSOL. Boulos expressou publicamente seu desejo do PSOL firmar Federação Partidária (quando dois partidos fundem-se e atuam como um só, por pelo menos 4 anos) com o PT. A direção do PSOL recusou a ideia de Boulos e ele estava prestes a trocar a sigla pelo PT. Boulos decidiu, porém, esperar a passagem das eleições de 2026 para fazer ou não esse movimento.

Boulos coordena a Campanha do Presidente Lula

Na prática, o distanciamento de Boulos do seu partido PSOL e a militância com o PT é algo concreto. Desde a divergência com a direção do PSOL, Boulos começou a aparecer em podcasts como um porta-voz do Governo Lula, reproduzindo as pautas de campanha como o debate da soberania nacional e o fim da escala 6×1.

Interessante notar que, pelo lado do PSOL, percebe-se o oposto: uma radicalização (ou volta às origens) atraindo importantes novos quadros de Esquerda como Jones Manoel, agora candidato a Deputado Federal por Pernambuco. Ao mesmo tempo, vemos novos protagonismos no partido, a exemplo de Fernanda Melchionna, Glauber Braga e Sâmia Bonfim, mais comprometidos com as pautas tradicionais da Esquerda.

O que dizer então sobre a sucessão do Lulismo?

Falemos, antes de tudo, de Fernando Haddad, a segunda força dentro do PT, figura prestigiada em diferentes esferas da sociedade, agradando, com suas ideias, volta e meia, até mesmo o mercado financeiro e os economistas liberais.

Ele venceu uma das quatro eleições majoritárias que disputou, tornando-se prefeito de São Paulo. Seu governo não conseguiu, porém, a reeleição, num cenário de rejeição popular embalado pelo antipetismo em nível nacional.  Concorrendo à Presidência, perdeu para Jair Bolsonaro quando Lula não pôde ser candidato em 2018.

Boulos ainda não foi testado numa eleição presidencial por um grande partido e se Lula vencer em 2026, terá mais quatro anos para integrar-se mais organicamente ao PT. A verdade, porém, é que o Partido dos Trabalhadores sofre no quesito renovação dos quadros.

Lula raramente faz aproximações com jovens da sigla, por isso mesmo o entusiasmo com Boulos chama atenção. Temos de admitir, porém, que não é fácil pensar em nomes fortes o suficiente para vencer eleições presidenciais pelo PT no Brasil depois de Lula.

Está no PSOL, quem sabe, o processo mais interessante quando pensamos o fim do ciclo Lulista pelo interesse da Esquerda. Lá reúnem-se múltiplos quadros com potencial de propor uma Esquerda renovada e menos conciliadora.

Resta saber se o PSOL conseguirá sair das bolhas da esquerda intelectualizada, conquistando apelo popular. De toda forma, para o sucesso de um ciclo renovado de Esquerda no Brasil a partir de 2030, parece-me que caberia ao PT a elegância de aceitar um papel secundário, de sair da frente, dando lugar a novos protagonismos.

* Henrique Casanova – Jornalista e geógrafo

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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