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Brasil Estrangeiros ignoram risco de mutação do coronavírus no Reino Unido e viajam ao Brasil

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Um dos países mais castigados da Europa, com 146.791 mortos até o momento, registrou 78.610 novos casos em 24 horas. (Foto: Reprodução)

“Ninguém se importa com o coronavírus aqui. Tudo parece normal”, diz Peter (nome fictício) sobre a pandemia de covid-19 no Brasil. “Estou feliz de ter viajado. Não sei se quero voltar, porque agora o Reino Unido está isolado do mundo”, acrescenta.

Peter, que mora em Londres e diz já ter contraído covid-19, falou com a BBC News Brasil sob condição de anonimato. Ele viajou ao Brasil de férias para o período de festas com outros seis amigos.

“Mas seremos 10 ou mais, porque amigos de amigos dos Estados Unidos também estão vindo”, diz ele, ignorando os riscos de transmissão da doença. “Não estou com medo”.

No último sábado (19), o Reino Unido anunciou a descoberta de uma nova variante do coronavírus mais infecciosa e “fora de controle”, segundo o ministro da Saúde britânico Matt Hancock.

Também no sábado, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, surpreendeu a população decretando rigoroso lockdown imediato nas regiões sul e sudeste da Inglaterra, incluindo a capital, Londres, e em todo o País de Gales.

As restrições, que afetam mais de 20 milhões de pessoas, impedem familiares e amigos que moram em diferentes residências de celebrar o Natal juntos. Segundo as autoridades britânicas as medidas são necessárias para controlar o novo vírus que tem poder de transmissão 70% maior.

O anúncio levou governos de países europeus a cancelarem voos para o Reino Unido. A França também proibiu a entrada em seu território de caminhões e outros veículos que tenham circulado recentemente no Reino Unido.

Até o momento, o Brasil ainda não tomou medida semelhante e continua a receber voos do Reino Unido.

Também segue sendo um dos poucos do mundo — e o único sul-americano — sem restrições à entrada de estrangeiros por aeroportos, não adotando medidas comuns a visitantes que chegam do exterior por esse meio, como apresentação de diagnóstico negativo para covid-19 ou quarentena obrigatória de 14 dias, segundo dados atualizados da Associação Internacional de Transporte Aéreo. As regras só mudam no dia 30 de dezembro.

Nessa segunda-feira (21), por exemplo, um voo da companhia British Airways aterrissou às 6h (horário de Brasília) no aeroporto internacional de Guarulhos em São Paulo vindo de Londres, no Reino Unido.

Testagem

Só a partir do dia 30 de dezembro, passageiros de voo internacional que desembarcarem no Brasil precisarão apresentar um teste RT-PCR negativo para covid-19 feito até 72 horas antes da viagem — decisão que, na opinião de especialista, foi tomada “tarde demais”.

“O Brasil já deveria ter começado a tomar medidas de restrição de pessoas chegando ao país desde que começou a segunda onda na Europa”, diz o pesquisador Domingos Alves, responsável pelo Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto.

“Lembrando que houve quase um mês de diferença entre o aparecimento da segunda onda na Europa e no Brasil. Podemos inferir que alguns dos casos que tivemos se deveram ao fato de que mantivemos todos os aeroportos abertos”.

“Mais uma vez o governo brasileiro tem um atraso sistemático em relação às medidas para conter a pandemia. É lamentável”, acrescenta.

Isolamento

Temerosos de que essa nova variante possa acelerar ainda mais o número de casos, vários países europeus — alguns dos quais decidiram confinar suas populações durante o período de festas — decidiram fechar as fronteiras a viajantes do Reino Unido, como Irlanda, Alemanha, França, Itália, Holanda e Bélgica.

Na América do Sul, Argentina, Chile e Colômbia suspenderam todos os voos diretos de e para o Reino Unido. O Equador também está considerando fortalecer as medidas para controlar a propagação do vírus.

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