Sábado, 23 de maio de 2026
Por Lenio Streck | 19 de dezembro de 2020
Essa questão das vacinas e a liberdade de tomar ou não tomar é complexa. Uma viagem à velha discussão acerca de como ser livre e dos custos da liberdade. E, como diz o título de um famoso livro, O Medo à Liberdade.
Não entrarei nessa discussão, porque penso que a questão é mais simples e não envolve dilemas morais. Para mim, toma vacina se quiser tomar. Tem alguns problemas, é claro. Explicarei.
Ou seja, essa liberdade (de não tomar vacina) terá consequências, como não poder viajar a alguns países, não ser aceito em um clube, ter restrições até mesmo em viagens internas, no trabalho, etc.
Darei um exemplo bem caricato. Se eu optar, livremente, por comer três pescoços de galos-índio por dia, porque, na minha crença, isso me levará à salvação d’alma, ninguém tem nada a ver com isso.
Qual é o problema? Simples. Minha crença em comer pescoço de galo não me dá direito, por exemplo, de exigir isenção de impostos para a compra dos galos e nem de exigir fornecimento dos galos por parte do Estado na eventualidade de eu não poder pagar.
Eis o ponto. A liberdade tem responsabilidade como contraponto. Há, porém, um elemento complicador, de ordem cientifica.
Explico: se a ciência estiver correta quando acentua que uma imunização só tem resultados satisfatórios de mais de 70% da população for vacinada, então podemos ter um problema com a liberdade.
Vamos supor que só 25% da população opte por se vacinar. Nesse caso, em termos científicos, a maioria que opta pela não-vacina prejudicará a minoria.
Daí vem o papel da Constituição: ela é um remédio (sem trocadilho) contra maiorias. E quem cuida da Constituição é o Supremo Tribunal Federal.
Se eu quero me vacinar – e isso também é um direito -, posso ter minha pretensão frustrada pela maioria que opta por não se vacinar?
Veja-se que que facilmente chegamos no terreno das aporias. Que são dilemas que não tem saída.
E como a própria Constituição diz que o judiciário sempre tem de dar uma resposta, nesse caso o Supremo Tribunal Federal tem de resguardar o direito de quem segue a ciência.
No caso, segundo consta, o Supremo Tribunal diz que a vacinação compulsória pode ser implementada por medidas indiretas, como a restrição ao exercício de certas atividades ou à presença em determinados lugares.
Ou seja, no fundo, nessa parte, o Supremo Tribunal faz o simples. É obrigatório vacinar, mas você não pode ser forçado. Portanto, preserva-se o direito de quem não quiser. Como no caso dos pescoços de galo, só não posso me queixar do alto preço dos galos e tampouco exigir isenção de impostos, se entendem a metáfora.
A outra questão é mais invasiva. O STF definiu que pais são obrigados a levar os filhos para vacinação conforme prevê o calendário de imunização, devendo ser afastadas convicções filosóficas. Nesse caso, seguiu o que já existe hoje. Crianças devem ser vacinadas. Com a diferença de que o próprio Estado vai colocar esse grupo (crianças) mais para o final da vacinação. Ao contrário das vacinas atuais, em que as crianças são prioritárias (sarampo, etc).
Enfim, seguimos. No meu caso, vou comprando e consumindo os pescoços de galos-índio e não penso em exigir do Estado qualquer regalia por isso.
Se os galos índio subirem muito de preço, devo abandonar a crença. Ou seja: aguentar no osso do peito minha opção.
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!
Faltou dizer quais serão as sanções aos recalcitrantes, e quem vai definir isso. Também caberia explicar se existe diferença entre obrigatório e compulsório. O texto que acabo de ler toma como sinônimos. Tem quem faça diferença. E, vacinar as crianças é obrigatório, segundo o STF. E segundo a Constituição? Qual artigo prevê isso?
As duas formas para se imunizar contra o covid-19 são: 1ª – vacina; 2ª – Contrair o vírus e ter a sorte de o organismo reagir a tempo e produzir anticorpos suficientes. Aqueles que não querem se vacinar, estão apostando numa possibilidade que pode lhes custar a vida. Aposta simplesmente burra! Eu quero vacina o quanto antes e não importa se é americana, alemã, chinesa ou paraguaia.
geraçao mimimi.bando de cagoes.fumam,bebem,se drogam,comem que nem porcos,estao se borrando.geraçao nutella.