Sexta-feira, 22 de maio de 2026
Por Lenio Streck | 12 de dezembro de 2020
Antes de tudo, aviso que o título é um trocadilho. Sobre o uso de máscaras.
Porto Alegre passou por uma “treta” há poucos dias. Na verdade, a treta continua. Um conhecido jornalista está sendo processado pelo Ministério Público porque fez comentário – segundo a interpretação de empresários, jornalistas e jornaleiros, assim como de entidades policiais e Ministério Público – desairoso contra policiais e/teria feito ode ao crime.
Não vou discutir o mérito dessa controvérsia. O Ministério Público ingressou com ação por dano moral coletivo contra o jornalista e a empresa. O juiz parece que não concordou tanto assim com o pedido e mandou que o Promotor emendasse a inicial, coisa que nem advogados gostam de fazer. Corre o risco o MP de a ação ser fulminada na origem. A ver.
Mas quero ir além disso e falar de critérios. E pesos e medidas. Vejam: não foi um presidente da república quem disse que se ganhasse um salário mínimo daria um tiro na cabeça? Isso é ode ao suicídio? Sei, faz tempo isso. E o atual Presidente da República não disse, imitando uma metralhadora, que… vocês sabem bem o que ele disse. E quando o Presidente imita uma arma com a mão, isso é o quê?
E quando pessoas, nos meios de comunicação, incentivam à desobediência?
Na quinta-feira, dia 10, descia eu a serra e zapeava pelas rádios. Numa delas, era por volta das 15h50min, um comunicador – de cariz conhecidamente bolsonarista – fazia uma dura crítica ao uso de máscaras. E se mostrava indignado com as pessoas que, segundo ele, corriam na orla do Guaíba usando a máscara. Isso é o quê? MP podia ver isso, não? Ode à desobediência…!
Bom, eu não tenho problema com isso. Para mim, tudo isso é liberdade de opinião e imprensa. Mas o Ministério Público poderia requerer a gravação e fazer uma ação por dano moral coletivo contra o conhecido radialista. O MP não está pleiteando dano moral coletivo em relação ao comentário sobre o assalto em Criciúma? Outro dia, esse mesmo radialista – o que criticou o uso de máscaras – entrevistava um médico que tecia loas à Suécia. Isso há uns dois meses. E agora se vê como está a Suécia. Tem de ver o diálogo entre os dois. Pobre de quem defende distanciamento social e quejandos.
Outro conhecido radialista dizia que a COVID era uma gripezinha. Pegou o vírus, esteve mal e agora critica a omissão do Presidente Bolsonaro. E assim a nave vai.
Indignação seletiva: eis o que vemos cotidianamente. O mesmo sujeito quem se coloca, de forma histriônica, contra a corrupção, passa panos quentes na declaração do Major Olímpio, quando falou, em entrevista ao jornalista que pegou COVID, que o toma lá dá cá de agora é o que nunca se viu antes no Parlamento. Eu ouvi. Ele se quedou silente…
O que é isto, a coerência? Arthur Lira é o candidato do governo à Presidência da Câmara. Sim, é isso mesmo. As criticas dele ao que passou (impeachment da Dilma, por exemplo) – ele publicou contundente artigo sobre isso na Folha de São Paulo desta semana – só valem até um pedaço. Leiam:
“Erra quem imagina que inviabilizar ou asfixiar o atual governo, do ponto de vista fiscal, vai deixar espaço para a sobrevivência do sistema democrático como um todo. A democracia já estava em vertigem em 2016, no impeachment da presidenta Dilma, depois com o Estado policial, a criminalização da política, a prisão de Lula, as duas tentativas de derrubar Temer e a eleição frenética de 2018. Se a democracia sofrer uma nova alucinação, ela sai da vertigem para o tombo.”
E vamos tocando o barco. A nave vai. E a indignação segue…seletivamente.
Saludo. Cuidemo-nos. E usemos máscaras. Mesmo que o radialista faça campanha contra.
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sim, minha professora de português está se revirando no “túmbalo” pela separação silábica… Mas, mesmo não sendo jor na lis ta, digo que esse está na lista…
Nunca tinha lido esse “jor na lista” mas foi primeira e unica vez. Bem posicionou vc, Paulo Prestes.
Muito bem colocado… O aritgo tem o único propósito de banalizar a banalização… redundante, mas não acho outras palavras… Desculpe, Ssôra…
os comunistas defendem uns aos outros, são coesos na sua ideologia e atacam – todos juntos- os que divergem deles…esse pessoal não muda, de jeito nenhum… defendem seus pontos de vista ‘cegamente’. No texto, duas verdades que o articulista não aceita: a desnecessidade, incoveniência e insalubridade de se usar a máscara ao correr ao ar livre; o descabimento da defesa de gangster perigosíssimos,praticada pelo D.C. e digna de toda irresignação. O articulista compara, na esfera criminal, a defesa, feita por um jornalista, dos terriveis bárbaros assaltantes de banco com a defesa, feita por um radialista, do não uso de máscara… Leia mais »
A propósito, o ilustre colunista, acabou de perder mais um leitor…
Tu Lenio, um homem com tantas luzes realiza uma comparação tão pífia que uma vovozinha com Alzheimer de 98 anos conseguiria enxergar as intenções de teus argumentos. Uma pergunta que não quer calar, pois foste Membro do Ministério Público:Onde ou Aonde estão as provas de racismo do caso do sujeito que foi assassinato no Carrefour ? Aí, tu não responde Lenio. Sabes o porquê? Tu sabes, não existe prova ou provas nesse sentido. Agora, voltando a ” vaca fria” a esquerda, que se mostrou corrupta em administrar o Brasil não perde a empáfia de misturar um crime que deixou de… Leia mais »
A classe jornalista brasileira em sua maioria não passa de um bando de hipócritas que só se aproveitam das mazelas do povo brasileiro pra se locupretarem e como são na máxima safados narcisista que como aves estão de poleiros em poleiros tentando se dar bem e levar vantages em tudo o que publicam, e colocam o povo sempre contra as forças de segurança e esquecem que eles mesmos precisam dessas forças até mesmo em suas reportagens distorcidas por suas mentes hipócritas e muitas vezes em apologia ao crime que no momento parece ser o caso.