Quinta-feira, 05 de fevereiro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Europa passa a conviver com alta “inacreditável” na conta do gás

Compartilhe esta notícia:

Países europeus estudam medidas temporárias para atenuar o peso do custo da energia ao consumidor. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Mário, um brasileiro residente em Roma (Itália), enviou uma sucinta mensagem para os amigos na tarde da última sexta-feira (25): “Chegou uma carta da companhia de gás. Adivinha quanto foi o aumento para julho: 343%! Inacreditável”.

Usuário do gás para cozinhar, aquecer a casa e o banho, Mário, que prefere não ter seu nome inteiro publicado, sabia que seria atingido pela espiral do custo do gás, em meio às tensões crescentes entre o Ocidente e a Rússia com a invasão russa na Ucrânia — mas não que seria tanto assim.

Na correspondência, a companhia Acea Energia faz proposta de modificação
unilateral de contrato, pela qual aumenta o metro cúbico de gás de 0,16 euro para 0,71 euro a partir de julho, por 12 meses. Ele pode eventualmente mudar de companhia, mas a tarifa não tem muito como ser diferente em meio ao que pode vir a ser a maior crise de abastecimento em décadas.

A invasão russa da Ucrânia trouxe a segurança energética de volta ao centro as
agendas políticas com o aumento dos preços das commodities. A avaliação da Agência Internacional de Energia é de que, embora ainda seja cedo para saber como os eventos podem se desenrolar, a crise resulte em mudanças duradouras nos mercados de energia.

O gás natural representa 40% das necessidades energéticas italianas, e 40% desse gás vem justamente da Rússia, numa dependência que não cessou de aumentar nos últimos anos. O país importa também mais de 10% de sua eletricidade de centrais nucleares de outros países, sobretudo da França.

Os altos preços da energia estão freando as perspectivas para a economia da
Europa. E a Itália, como a Holanda, Bélgica, Irlanda, Grécia, Suécia e Chipre, procura adotar medidas temporárias para atenuar o peso sobre o consumidor. O governo italiano anunciou baixa de 5% na TVA (imposto indireto) sobre o gás e outras ajudas por um total de 16 bilhões de euros. O governo diz ter planos de taxar os lucros das companhias de energia.

Os países da União Europeia continuam divididos sobre as soluções para combater a alta dos preços do gás. Os países do sul, como Itália, Espanha, Portugal e Grécia querem ixação de um preço máximo para o produto e dissociar seu custo ao da
eletricidade. Mas um grupo de países liderado pela Alemanha e Holanda é contra a intervenção e uma reforma do mercado de eletricidade. Estimam que intervenção no mercado de energia coloca em risco o abastecimento e não haveria efeito sustentável sobre os preços.

Apesar das divisões entre os 27 Estados-membros, os líderes europeus acertaram continuar a “discutir se e como as opções de curto prazo da Comissão podem ajudar a reduzir os preços do gás e abordar seu efeito de contágio nos mercados de eletricidade, levando em conta as circunstâncias nacionais”.

Certa mesmo é a decisão de reduzir a dependência de energia em relação à Rússia. A Itália é um caso exemplar: o chefe da diplomacia, Luigi Di Maio, comanda uma equipe que age como uma grande central de compras, e partiu em direção da Argélia, Catar, Congo e Angola para tentar fechar novos contratos maiores de importação de gás.

No novo cenário geopolítico, a Itália volta também a discutir o aumento de sua
própria produção de gás. Projetos nesse sentido no mar Adriático foram até agora barrados por causa de forte oposição e mobilização de entidades ecológicas.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Definida como gafe, fala de Biden revela desejo do Ocidente
Rússia diz que destruiu depósitos de munição na Ucrânia
Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Pode te interessar