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Política Ex-governador paulista, Geraldo Alckmin diz que a hipótese de ser vice de Lula “caminha”, após reunião com centrais sindicais

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Sebrae afirma que processo já começou e que está definido em regras internas. (Foto: Agência Brasil)

Em reunião na manhã desta segunda-feira (29), o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que está de saída do PSDB, ouviu um apelo de dirigentes de centrais sindicais para que aceite ser vice na chapa encabeçada pelo ex-presidente Lula (PT). Estavam presentes os comandos da Força Sindical, UGT, Nova Central e CTB. Dirigentes sindicais afirmaram ter deixado claro ao ex-governador que o querem ao lado do petista em 2022.

Em resposta, segundo três participantes do encontro, Alckmin disse ter se preparado novamente para concorrer ao governo do Estado, mas afirmou que “surgiu a hipótese federal”. Essa hipótese exigirá trabalho, mas, segundo o ex-governador, “caminha”.

“Preparei-me novamente para ser governador do estado. Surgiu a hipótese federal. Os desafios são grandes. Essa hipótese caminha e eu considero essa reunião com as quatro principais centrais histórica”, afirmou Alckmin, de acordo com os relatos.

Chamou a atenção dos presentes o fato de Alckmin ter tratado em sua fala da conjuntura internacional e dos caminhos para o Brasil sair da crise. As questões estaduais ficaram de lado.

Além disso, Alckmin citou em seu discurso as diversidades nacionais. Lembrou que quando foi candidato a presidente em 2006 teve 85,07% dos votos válidos na cidade gaúcha de Arroio do Padre, enquanto Lula obteve 97,2% dos votos válidos na cidade de Central do Maranhão (MA).

Outro ponto destacado pelos sindicalistas foi o fato de o ex-governador ter aceitado rapidamente o encontro. O convite havia ocorrido na sexta-feira.

“Dentro da situação atual, seria muito importante que ele aceitasse (ser vice de Lula). Nós daremos todo o apoio”, afirmou Miguel Torres, presidente da Força.

“A grande motivação para fazer a reunião com o Alckmin é o fato de nós, centrais sindicais, estarmos junto de uma frente para derrotar esse modelo de governo (de Jair Bolsonaro), que tem representado muito claramente a ruptura democrática. Essa possível coligação do Lula com o Alckmin sinaliza uma possibilidade de derrota desse modelo político. Esse é um ponto que a gente discutiu”, disse o presidente da Nova Central, José Reginaldo Inácio, que não participou da reunião em São Paulo, mas enviou representantes.

Com saída anunciada do PSDB, Alckmin não deu pistas para qual partido migrará. A decisão só deve ocorrer no começo do próximo ano. Estão no horizonte do tucano o PSB, o PSD e o União Brasil.

“Não há dúvida que o movimento sindical coloca com muita simpatia uma relação com uma pessoa como é o Alckmin em São Paulo e o Lula no Brasil, que sempre tiveram um tratamento republicano e respeitoso conosco”, avaliou Ricardo Patah, presidente da UGT, ligado ao PSD.

Patah confirmou que Alckmin abordou temas nacionais em seu discurso, mas aposta que, mesmo assim, ele deve concorrer a governador.

“A fala foi muito focada na saúde. Tratou da macropolítica, da desindustrialização. Na questão política, tem essa relação com o Lula. Mas a minha impressão é que ele vai ser candidato a governador de São Paulo. É uma interpretação subjetiva, um pouco diferente da dos companheiros.”

Caso decida concorrer a governador, os caminhos mais prováveis de Alckmin seriam o PSD e o União Brasil. Se optar por ser vice de Lula, a chance maior é de o ex-governador ingressar no PSB.

Alckmin deve se reunir com sindicatos ligados à alimentação no dia 8 e aos metalúrgicos no dia 16.

Uma chapa de Alckmin e Lula é vista como difícil, mas não impossível pela cúpula do PT. Os dois se encontraram duas vezes nos últimos meses e abriram um canal de diálogo.

Pessoas próximas a Lula contam que não houve convite para a aliança e que as conversas fizeram parte do esforço do petista de criar interlocução com atores comprometidos com a democracia, diante dos ataques às instituições feito pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em conversas internas, Lula ressalta que Alckmin tem compromisso com a democracia e que todos conhecem a sua forma de pensar e agir, dado o seu longo histórico na política. O ex-presidente cita os ataques proferidos pelo tucano quando o enfrentou na eleição presidencial de 2006, mas considera que, apesar de duros, estiveram dentro do aceitável. Além disso, como governador, sempre tratou os então presidentes Lula e Dilma Rousseff com respeito. As informações são do jornal O Globo.

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