Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 13 de fevereiro de 2024
Na reunião com auxiliares no Planalto, em julho de 2022, Bolsonaro disse que faria um evento com embaixadores “para mostrar o que está acontecendo”. O encontro com representantes de vários países ocorreu naquele mesmo mês – o então presidente atacou as urnas eletrônicas e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) – o que resultou na inelegibilidade de Bolsonaro. Na ocasião da reunião ministerial, o ex-presidente pediu que o ataque ao sistema eleitoral fosse intensificado.
– Ação antes da eleição: O ex-presidente cobrou ainda de seus ministros uma reação antes da eleição daquele ano. “Se a gente reagir depois das eleições, vai ter um caos no Brasil”, afirmou ele. Depois da reunião, Bolsonaro e seus auxiliares reforçaram o discurso contra o sistema eleitoral e, segundo a PF, passaram a articular uma tentativa de golpe de Estado.
– Uso da Polícia Federal: Ex-ministro da Justiça, Anderson Torres disse a Bolsonaro que grupo montado na PF faria “os questionamentos necessários” sobre o sistema eleitoral. “A gente vai atuar de forma incisiva.” Dias depois, em ofício ao TSE, Torres afirmou que a PF participaria de todo o processo de fiscalização para “resguardar o Estado Democrático de Direito”.
– Ministério da Defesa: Paulo Sérgio Nogueira, então titular da Defesa, afirmou que a Comissão de Transparência das Eleições do TSE era “para inglês ver”. “Nunca essa comissão sentou e discutiu uma proposta.” O ministério do general elaborou uma série de questionamentos à Justiça Eleitoral que acabaram sendo usados por bolsonaristas no ataque às urnas.
– GSI: General Augusto Heleno, então chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), falou em “montar um esquema para acompanhar o que os dois lados estão fazendo”. Não se sabe se a Agência Brasileira de Inteligência foi usada, de fato, para monitorar o então candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Mas outra operação da PF apura o funcionamento de uma “Abin paralela” durante o governo Bolsonaro.
– Narrativa: Bolsonaro exigiu dos auxiliares, na reunião, que reproduzissem a narrativa de contestação do processo eleitoral. “Daqui para frente, quero que todo ministro fale o que eu vou falar aqui.” A PF apontou, na Operação Tempus Veritatis, a atuação de um núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral. De acordo com a investigação, essa frente era responsável pela produção e disseminação de fake news sobre as eleições. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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