Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de fevereiro de 2017
A Odebrecht relatou o pagamento de R$ 2,5 milhões de caixa dois para a campanha de 2014 do deputado federal Andrés Sanchez (PT-SP), eleito naquele ano. O ex-presidente do Corinthians e responsável pela construção do estádio do time, na zona leste de São Paulo, teve 169.658 votos.
A informação consta nos acordos de delação premiada do ex-diretor-superintendente Luiz Bueno e do ex-presidente de Infraestrutura do grupo baiano, Benedito Júnior, o BJ. Os dois estão entre os 77 executivos da empreiteira que fecharam colaboração com a Lava-Jato.
André Luiz de Oliveira, o André Negão, vice-presidente do clube alvinegro e assessor parlamentar de Sanchez, é apontado como o responsável por ter recebido o dinheiro, pago em espécie. Ambos negam irregularidades.
Oliveira foi alvo de condução coercitiva em março do ano passado em uma das fases da Lava-Jato, após aparecer em uma planilha do setor de operações estruturadas da Odebrecht, área responsável por pagamentos ilícitos.
Na documento, as citações ‘Timão’ e ‘Alface’ apareceram ligadas a um endereço na zona leste de São Paulo, identificado pela Polícia Federal como a residência de André Negão. Havia também um lembrete de um pagamento de R$ 500 mil a ser liquidado na data de 23 de outubro de 2014. A eleição para deputado federal aconteceu no dia 5 de outubro daquele ano.
Oliveira chegou a ser preso na ocasião da busca e apreensão porque os policiais federais encontraram uma arma de fogo sem licença em sua casa. Ele foi liberado após pagar fiança de R$ 5.000.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo apurou, a empreiteira apresentou documentos que comprovam o repasse de R$ 2,5 milhões. A Odebrecht foi a responsável pela construção da arena do Corinthians. Sanchez presidiu o clube entre 2007 e 2011. A construção do estádio, que ficou pronto em 2014 e sediou jogos da Copa do Mundo do Brasil, começou no último ano de mandato do dirigente. Sanchez também foi diretor de seleções da CBF entre 2011 e 2012.
BJ e Bueno eram os executivos ligados diretamente às obras da arena. Também eram os funcionários da Odebrecht mais próximos ao ex-presidente Sanchez.
Corintiano, BJ frequentava os camarotes de jogos do clube, inclusive no período em que negociava sua delação. No depoimento aos procuradores, disse saber do caixa dois para o deputado.
Bueno, no entanto, foi quem detalhou a transação ao Ministério Público Federal. Depois da eleição, o executivo costumava viajar a Brasília, onde tinha conversas reservadas com o parlamentar em seu gabinete, na Câmara.
Sanchez declarou ter recebido em sua campanha R$ 2,1 milhões, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A única empreiteira que aparece como doadora oficial é a UTC Engenharia, outro alvo da Lava-Jato, com valor de R$ 100 mil.
ARENA NA LAVA-JATO
Na delação, a Odebrecht diz que não houve pagamento de propina para construir o estádio do Corinthians. Os detalhes estão no depoimento do sócio majoritário do grupo, Emílio Odebrecht, que esclareceu que a empresa construiu a arena para agradar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Alexandrino Alencar, ex-diretor de Relações Institucionais da empresa, chamado de “amigão do peito” por Sanchez, foi um dos responsáveis por viabilizar o projeto, ajudando em conversas com o ex-presidente Lula, segundo um livro publicado pelo corintiano. Em sua delação, no entanto, Alencar não faz nenhuma revelação sobre a negociação do estádio. (Folhapress)
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