Quarta-feira, 27 de maio de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Ex-soldado diz que treinamento militar deixa PMs como pitbulls

Compartilhe esta notícia:

"O militarismo é uma espécie de religião que cria fanáticos", relata o ex-soldado da Polícia Militar do Ceará Darlan Menezes Abrantes. Imagem: Reprodução

Um ex-soldado da PM (Polícia Militar) brasileira revelou  o “assédio moral” que acontece em treinamentos da corporação e como a cultura militar ” é uma espécie de religião que cria fanáticos”. Em entrevista ao jornal espanhol El País”, Darlan Menezes Abrantes revelou o medo que sentia de oficiais e o despreparo para lidar com as pessoas nas ruas que o tipo de treinamento oferecido pela PM cria.

“O soldado é treinado pra ter medo de oficial e só. O treinamento era só mexer com o emocional, era para o cara sair do quartel igual a um pitbull, doido pra morder as pessoas. Como é que eu vou servir a sociedade desse jeito? É ridículo”, falou Abrantes à publicação. “O policial tem que treinar o raciocínio rápido, a capacidade de tomar decisões. Hoje, se treina um policial como um cachorro para uma rinha de rua.”

Abrantes  foi expulso da polícia do Ceará em janeiro de 2014 após publicar o livro “Militarismo: um sistema arcaico de segurança pública”. Ele passou 13 anos na corporação. “Eu fui pra algumas universidades aqui de Fortaleza distribuir o livro e fiquei do lado de fora da Academia. Fui interrogado e eu fiquei impedido de trabalhar na rua”, contou.

Questionamento.

O ex-policial passou sete meses no extinto Curso de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da PM cearense. Ele contou que por começar a questionar ordens abusivas de superiores, ganhou o apelido de “Mazela”, termo comum no Ceará para identificar alguém preguiçoso. “Fiquei com essa fama no quartel”, contou ele. “É uma lavagem cerebral. O militarismo é uma espécie de religião que cria fanáticos. Ordem unida, leis militares, os regimentos e tal, aqueles gritos de guerra”, relatou.

Abrantes fez críticas a pequenas regras militares que, segundo ele, atrapalham a vida do policial: “Essas coisinhas bestas que os policiais vão aprendendo, como arrumar direito a farda. Você pode ser preso se não tiver com um gorro ou chapéu na cabeça. Essas coisas que só atrapalham a vida dos policiais. Às vezes eu pegava um ônibus superlotado, chegava com a farda amassada e ficava sexta-feira, sábado e domingo preso. Você imagina? Por causa de uma besteira dessas? Isso é ridículo”, declarou.

Treinamento falho

Uma pesquisa publicada em 2014 pela pelo Centro de Pesquisas Jurídicas Aplicadas  da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou dados alarmantes. Segundo o levantamento, 82,7% dos policiais entrevistados afirmaram ter formação máxima de um ano antes de exercer a função, 38,8% disseram que já foram vítima de tortura física ou psicológica no treinamento ou fora dele e 64,4% afirmam ter sido humilhados ou desrespeitados por superiores hierárquicos. Apesar disso, o assunto ainda é pouco discutido. (AD)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

WhatsApp agora permite silenciar as conversas das pessoas
Mãe com câncer deixa cartas para filha ler no futuro
Pode te interessar