Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de junho de 2016
31O câncer que o ator Edson Celulari anunciou ter, o chamado linfoma não-Hodgkin, tem chances de recuperação maiores que 50% mesmo em casos agressivos, segundo novas diretrizes para o tratamento da doença, publicadas pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.
O que chamamos de linfoma não-Hodgkin, na verdade, é uma categoria que abrange mais de 40 subtipos. Metade deles são considerados indolentes. A outra, agressivos. Em comum, todos acometem células de defesa, responsáveis pela proteção contra infecções e até mesmo pelo combate contra outros cânceres. Os primeiros sinais geralmente são inchaços nas regiões da axila, virilha e pescoço.
Em todos os subtipos, há alterações genéticas em linfócitos, que passam a se proliferar desordenadamente. Dependendo de onde e como essas alterações ocorrem, no entanto, os tratamentos podem tomar rumos bastante distintos.
Há, inclusive, a chance de ser feita apenas uma “espera cautelosa” no caso de cânceres que levam até 20 anos para se desenvolver, explica o médico oncologista Jacques Tabacof. Já alguns tipos de linfoma relacionados a infecções bacterianas crônicas podem ser tratados apenas com antibióticos. Esses parecem não ser o caso de Celulari, que já iniciou tratamento e apareceu careca em fotografias nas redes sociais.
Celulari apresentou a doença aos 58 anos, mas essa é uma doença mais comum em quem tem mais de 65 anos.
Relativamente raro, esse tipo de linfoma deve acometer mais de 10 mil brasileiros em 2016, segundo projeção do Inca (Instituto Nacional de Câncer), ligado ao Ministério da Saúde.
Esse é ainda o décimo tipo de câncer com maior incidência no mundo, segundo a Agência Internacional para Pesquisa Sobre Câncer, atrás de tumores como o de pulmão, mama, cólon e próstata.
Tratamento.
Para classificar o tumor e direcionar o paciente para o tratamento mais efetivo, os médicos se baseiam na biópsia do linfonodo, analisada por um patologista, que classifica o tumor de acordo com o tamanho, formato e outras particularidades das células.
Quando há uma mistura de células características de tipos diferentes da doença (indolente e agressiva), a chance de o linfoma não-Hodgkin reincidir no futuro é maior.
Entre os 40 subtipos da doença, os mais comuns são os linfomas difusos de células B grandes e os foliculares. Esse primeiro é um dos mais graves e costuma ser tratado com quimioterapia e rituximabe, um medicamento anti-CD20 (com anticorpos que combatem os linfócitos B que têm em sua superfície a molécula CD20). Esses remédios poupam o paciente da toxicidade da quimio ao tentar atacar somente os linfócitos potencialmente problemáticos.
Já os linfomas do tipo foliculares são um dos chamados linfomas indolentes e às vezes sequer precisam de tratamento, explica o hematologista Vanderson Rocha.
Há ainda a opção de fazer uma combinação de radioterapia com imunoterapia – anticorpos carregando átomos radioativos e que se ligam a moléculas como o CD20, podem fazer o serviço, explica o hematologista Guilherme Fleury Perini.
Linfomas agressivos ou reincidentes por vezes precisam de transplantes de medula. “Quem recorre a um banco de doação de medula óssea tem 60% de chance de encontrar um doador compatível”, afirma o onco-hematologista Celso Massumoto.
Para os outros 40%, a solução é o chamado transplante de haploidênticos, feito com doadores parcialmente compatíveis. Nesses casos, o paciente recebe altas doses de ciclofosfamida, que reduz a reação à medula do doador parcialmente compatível. Além disso, o paciente recebe, previamente, baixas doses de quimioterapia e de radioterapia corporal total, e medicamentos imunossupressores.
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