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Brasil Ganha força no mercado a expectativa de fixação, nesta semana, da taxa básica de juros a 2,25% ao ano

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Analistas avaliam limites para o afrouxamento monetário. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Em um ambiente de inflação cada vez mais baixa e relativo alívio das condições financeiras, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve ter espaço para cumprir o roteiro desenhado há cerca de um mês e aplicar uma nova redução de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic. Apesar de uma série de incertezas no radar, economistas e analistas consultados pelo Valor avaliam, de maneira quase unânime, que o colegiado levará a Selic de 3% para 2,25% na decisão da próxima quarta-feira, repetindo a magnitude do corte feito em maio, quando surpreendeu parte do mercado pela postura mais agressiva.

Em pesquisa com 83 instituições financeiras e consultorias, apenas 5 casas veem um corte mais conservador, de 0,50 ponto, e somente uma projeta baixa mais ousada, de 1 ponto percentual. Todas as outras estimam redução de 0,75 ponto percentual. Para o fim do ano, 57 participantes veem manutenção da taxa Selic, enquanto 26 projetam reduções adicionais – em nível igual ou inferior a 2%.

Desta vez, a expectativa é que o Copom até indique uma pausa no processo de afrouxamento, mas mantenha as portas abertas para adotar medidas adicionais no futuro. Vale dizer que ainda há grande discussão no mercado – e dentro do colegiado – sobre o limite da política monetária, ou seja, até que ponto a Selic poderia cair sem gerar efeitos contraproducentes. Logo, os agentes afirmam que o Copom poderia ser bastante cauteloso daqui para a frente em testar níveis muito mais baixos da taxa básica, ainda que alguns economistas vejam espaço para a Selic cair abaixo de 2%.

Para o diretor de pesquisa econômica do ASA Bank, Carlos Kawall, o cenário mais provável é que o Banco Central não sinalize o encerramento do ciclo de cortes, mas que “eleve a barra” para fazer reduções adicionais, que seriam, provavelmente, de 0,25 ponto percentual por vez. “Isso dependeria das condições financeiras e estas, por sua vez, de um cenário global e, principalmente, dos riscos para as reformas e para a trajetória fiscal.”

Kawall trabalha com cenário de Selic a 1% no fim de 2020, projeção mais ousada que boa parte dos analistas. “Acreditamos em uma Selic terminal muito baixa em decorrência da retomada da atividade lenta e risco de desancoragem, para baixo, das expectativas inflacionárias”, diz.

Ao longo das últimas semanas, o alívio relativo no câmbio – com o dólar saindo de quase R$ 6 para menos de R$ 5 -, a recuperação de outros mercados e evidências da baixa inflação no Brasil fortaleceram a expectativa sobre o tamanho do corte da Selic agora em junho, com chances de novos ajustes. Ainda assim, os riscos de um descontrole fiscal, eventuais ruídos políticos e os temores com novas ondas de contágio da covid-19 pelo mundo mantêm bastante cautela no cenário.

Entre as casas com cenários mais agressivos está a Persevera Asset, que vê a Selic próxima de zero no fim do ano. “O Brasil está entrando em uma assustadora depressão econômica. Nessas situações, assim como o Fed indicou, o BC não deveria ‘poupar munição’ e, sim, usar tudo o que tem para tentar ao máximo evitar que a situação se perpetue”, afirma Guilherme Abbud, sócio fundador e diretor de investimentos da gestora.

Por outro lado, em um momento de grande incerteza, existem dúvidas sobre a trajetória da inflação nos próximos anos. Nos modelos do Sicredi, por exemplo, uma taxa de juros mais próxima de 1,5% demandaria uma elevação mais brusca da Selic em 2021, visando cumprir a meta de inflação mais baixa de 2022. Logo, o economista-chefe da instituição, Pedro Lutz Ramos, afirma que o BC pode até sinalizar a possibilidade de novos movimentos, mas não deve testar a Selic abaixo de 1,75% em 2020 por causa de fundamentos tradicionais da política monetária.

Na última decisão do Copom, em maio, o colegiado informou que considerava agora em junho “um último ajuste”, não maior do que o daquela ocasião, de 0,75 ponto percentual, para complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências da pandemia.

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