Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de maio de 2020
Quando criou a linha de montagem, há mais de um século, Henry Ford não poderia imaginar que um dia um vírus mortal seria capaz de pôr à prova a sua invenção revolucionária.
Ao longo dos anos, a indústria automobilística passou por muitas crises. Sempre houve paralisações em fábricas, seja por queda nas vendas, seja por greves dos operários. Mas voltar ao trabalho sempre foi fácil. Difícil é saber como será a rotina numa fábrica de carros depois da pandemia da Covid-19.
Quando se viram obrigados a paralisar a produção, com a disseminação do novo coronavírus no Brasil, na última semana de março, os dirigentes da indústria automobilística começaram a perceber que, no retorno ao trabalho, as fábricas não poderiam ser as mesmas.
Tiveram que se apressar em busca de soluções para tornar o local onde se produzem automóveis o mais resistente possível à propagação do vírus. Algo deveria ser feito para evitar uma nova onda de paralisações.
Voltaram-se à China, epicentro da Covid-19, à procura de inspiração para recriar ambientes de trabalho. Os espaços que abrigam máquinas e metalúrgicos precisarão, a partir de agora, garantir distanciamento seguro entre os operários e ser muito mais limpos.
Aglomeração
Mesmo com o aumento da automação, nas fábricas de veículos ainda há muita gente – e simultaneamente. Não se trata de evitar aglomerações apenas nas linhas de montagem, mas também nos refeitórios, nos ônibus fretados que transportam trabalhadores e até nas reuniões entre eles.
Montadoras correram para comprar máscaras para os funcionários e termógrafos para medir a temperatura do pessoal nas trocas de turnos, como medida de proteção.
Quando todas as montadoras decidiram parar a produção “por um lado, como forma de proteger os funcionários; por outro, porque a crise paralisou o mercado interno e as exportações”, mais de 120 mil trabalhadores foram afastados das fábricas.
Todas as fábricas brasileiras pararam. Indústria e rede de concessionárias ficaram abarrotadas de carros, com estoque mais do que suficiente para todo o segundo trimestre.
Nenhuma outra crise afetou tanto a indústria automobilística. Para piorar, essa veio no momento em que o setor estava em pleno processo de adaptação ao avanço tecnológico dos veículos, com a expansão de vendas de carros elétricos e o desenvolvimento de veículos autônomos.
A pandemia vai retardar esse processo. Mas, por outro lado, vai acelerar a transformação da maneira de vender carros. Muito antes de governadores e prefeitos determinarem o fechamento do comércio para tentar conter a disseminação da Covid-19, o modelo de vendas de veículos, expostos em grandes showrooms, já dava sinais de desgaste. A venda de automóveis on-line tende a se expandir bastante.
A mobilidade nas metrópoles também poderá mudar. As grandes cidades têm muita gente circulando, hospedam grandes eventos profissionais, esportivos e de entretenimento. No entanto, mostraram-se, também, o campo perfeito para a rápida disseminação de doenças infectocontagiosas. Um vírus conseguiu silenciar ruas e avenidas. Talvez ele também nos ensine a consertar o caos urbano.
Os comentários estão desativados.