Quarta-feira, 27 de maio de 2026

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Notícias Fernando Haddad teve a semana perdida em busca de alianças para o segundo turno

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A estratégia de fernando Haddad de construir uma frente democrática, para indicar ao eleitor que a candidatura não representa apenas o petismo, ainda parece distante. (Foto: Reprodução Instagram)

A primeira das três semanas que terá para tentar reverter a vantagem de 18 milhões de votos de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno da disputa presidencial foi praticamente perdida para o candidato do PT, Fernando Haddad. A estratégia de construir uma frente democrática, para indicar ao eleitor que a candidatura não representa apenas o petismo, ainda parece distante. Apesar das movimentações, o presidenciável não conseguiu anunciar nenhuma adesão de peso até agora.

Na noite de domingo, logo após ter a passagem confirmada para a etapa final da eleição, Haddad anunciou o plano de “reunir os democratas do Brasil” contra o candidato do PSL. A avaliação dos petistas naquele momento era que não haveria dificuldade para conseguir apoio efetivo do candidato do PDT, Ciro Gomes, terceiro colocado no primeiro turno.

Pelo plano traçado, Ciro não apenas declararia adesão ao candidato petista como seria incorporado ao comando da campanha, com voz ativa para definir os rumos no segundo turno. Aliados de Haddad especulavam até que ministério o pedetista ocuparia num eventual governo do ex-prefeito de São Paulo.

Mas a decisão na última quarta-feira do PDT de anunciar apenas um “apoio crítico” jogou um balde de água na estratégia. Em seguida, foi divulgado que Ciro passaria uma semana na Europa, inviabilizando qualquer chance de o pedetista mergulhar na campanha imediatamente.

A avaliação entre os petistas é que, depois do balde de água fria despejado por Ciro, o movimento em direção a Fernando Henrique precisa ser bastante calculado para que não ocorra um novo revés, que poderia enterrar definitivamente o sonho da frente democrática.

Sem mais o que apresentar, Haddad tem enfatizado que conseguiu o apoio do “Esquerda Pra Valer”, um grupo de tucanos que não conta com participação de nenhuma liderança expressiva do PSDB. O petista tem se fiado à promessa de que os integrantes da corrente buscarão figuras históricas do partido.

PSDB, PSOL e PSB

Em entrevista, Haddad disse que ele e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) estão se aproximando. Os dois mantêm boa relação, apesar das diferenças partidárias. Quando o petista era prefeito, ele se encontrou com o ex-presidente e o dois chegaram a ir juntos ao Theatro Municipal assistir a uma ópera.

Dos candidatos que disputaram a eleição, apenas Guilherme Boulos (PSOL), décimo colocado na corrida pelo Palácio do Planalto, com 617 mil votos, se reuniu com o presidenciável petista para reafirmar apoio. Entre os partidos, o PSB, que havia ficado neutro no primeiro turno da disputa, declarou apoio a Haddad, mas os dois principais candidatos da legenda que disputam o segundo turno da eleição para governador, Márcio França, em São Paulo, e Rodrigo Rollemberg, no Distrito Federal, foram autorizados a ficar neutros.

Na quarta-feira pela manhã, Haddad anunciou que receberia os governadores do PSB que gostariam de anunciar alianças. Só Paulo Câmara (PE) e Ricardo Coutinho (PB), que já haviam declarado apoio ao presidenciável petista no primeiro turno, apareceram.

Na primeira semana, o candidato petista deixou de lado as agendas de rua que vinha fazendo no primeiro turno. Haddad se dedicou a reuniões com o comando da campanha em busca de uma estratégia para superar a vantagem de Bolsonaro, e às gravações para o horário eleitoral. O programa agora é diário e tem cinco minutos de duração, quase o dobro do primeiro turno. Serão 13 até a disputa eleitoral, além das inserções exibidas ao longo da programação.

Em uma estratégia desenhada para ser implantada de forma casada com a adesão de integrantes de outras correntes políticas, a campanha trocou as cores principais do material de campanha, reduzindo o vermelho e aumentado o verde, o amarelo e o azul. O slogan passou a ser “Brasil para Todos” em substituição ao “Brasil Feliz de Novo”, que remetia aos anos Lula. O líder petista, que está preso em Curitiba, também perdeu destaque na campanha.

O PT terá agora apenas duas semanas para tentar reverter a situação. Pesquisa Datafolha divulgada na quarta-feira mostrou Bolsonaro com 58% dos votos válidos, e Haddad com 42%. A aposta será toda nos ataques duros ao capitão reformado, que começaram a ser adotados pelo presidenciável petista em entrevistas e no horário eleitoral. A ideia é ligá-lo aos episódios de violência registrados nos últimos dias e destacar o medo no eleitor de um eventual governo do candidato do PSL. Declarações do adversário contra o Bolsa Família e direitos dos trabalhadores também serão exploradas.

Nesta segunda-feira, o candidato deverá aproveitar o Dia do Professor e fazer uma agenda com representantes da categoria em São Paulo. Faz parte da estratégia destacar a vida de Haddad como professor. Até assumir a candidatura, ele dava aulas no Insper, em São Paulo.

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