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Celebridades Festival de Berlim tem George Clooney sarcástico e perguntas absurdas em coletiva

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O astro protagoniza “Ave, César!”, filme que abriu o 66º Festival de Berlim. (foto: reprodução)

Os irmãos Joel e Ethan Coen olham com carinho para o passado de Hollywood em “Ave, César!”, que abriu oficialmente o 66º Festival de Berlim, fora de competição, nesta quinta-feira (11). Mas nem por isso abdicam de sua ironia e sarcasmo, apontando coisas inacreditáveis que aconteciam nos estúdios em 1951, quando os bastidores das produções pareciam tão saborosos quanto as histórias contadas nas telas. Com o mesmo espírito, os diretores e alguns membros do elenco presentes – George Clooney, Tilda Swinton, Josh Brolin e Channing Tatum – participaram de uma coletiva de imprensa igualmente inacreditável após a exibição do filme para jornalistas, no começo da tarde.

Numa das primeiras intervenções, uma jornalista disse que queria “fazer amor com o filme”, o que inspirou risadas sem graça na mesa. Houve também uma repórter que perguntou se Clooney era comunista, motivando uma resposta bem-humorada do ator: “Recuso-me a responder isso com base na Quinta Emenda”, reagiu, invocando o direito garantido na lei americana de permanecer em silêncio para não se incriminar. Depois, ele cortou uma jornalista que perguntava algo relacionado a almôndegas de peru, indagando, bem-humorado, se ela estava flertando com ele.

Outro jornalista, dizendo ter acabado de voltar da ilha de Lesbos, onde milhares de refugiados do Oriente Médio chegaram nos últimos meses, pediu ao sempre engajado Clooney fazer “Syriana 2”, numa referência ao filme de Stephen Gaghan sobre a indústria do petróleo. “É complicado fazer ‘Syriana 2′”, respondeu o ator, com seriedade. “Evidentemente muita coisa deu errado desde aquela época. Mas nós da indústria cinematográfica reagimos mais do que lideramos o caminho, porque demora um tempo para escrever um roteiro que não seja uma causa. Vou me encontrar com Angela Merkel (chanceler da Alemanha)  para ver o que podemos fazer. Agradeço a sugestão e posso dizer que seu apelo foi ouvido.”

Um pouco adiante, no entanto, ele perdeu a paciência quando uma outra jornalista, que parece não ter ouvido sua resposta, indagou o que ele e os Coen pretendiam fazer em relação aos refugiados que entraram aos milhares no país e na Europa. “Como disse, vou me encontrar com Angela Merkel e com um grupo de refugiados. Mas me deixe perguntar: o que você faz por eles? Porque me parece estranho você me perguntar uma coisa dessas com esse tom acusatório.”

Joel Coen também se posicionou. “Claro que a questão é importante. Também quero ver longas sobre isso. ‘Dheepan’, o filme que ganhou a Palma de Ouro no ano passado (quando o diretor e seu irmão Ethan foram presidentes do júri), trata disso. Mas é absurdo dizer que toda figura pública tem obrigação de fazer algo. É uma questão estranha essa.”

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