Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de março de 2018
Filho de Vladimir Herzog, Ivo Herzog comparou o caso da morte da vereadora Marielle Franco, no Centro do Rio, na quinta-feira (15), a de seu pai, o jornalista torturado e assassinado em 1975, durante o regime militar brasileiro. Ele escreveu o texto na rede social Facebook.
Leia o texto na íntegra:
“Marielle Franco… assassinada. Não tem como eu não fazer paralelos com o assassinato do meu pai, 42 anos atrás. Ele tinha 38 anos. Ela 38 também.
Pessoas que buscavam justiça, respeito e a verdadeira democracia.
Há 42 anos meu pai foi morto por agentes do Estado por opor-se a uma política de Estado que tinha como inimigo eu, você. Nós cidadãos.
Marielle morreu também (logo teremos certeza) por agentes do Estado. Estado que novamente impõe uma política contra mim, você, nós cidadãos.
Um Estado que precisa impor uma intervenção militar no Rio de Janeiro porque este mesmo Estado levou o Rio à falência. Foi conivente com a corrupção. Desconstruiu uma estrutura que deveria proteger e servir a sua população, substituindo por uma estrutura que cuida de poucos privilegiados e manda para os guetos aqueles que não se encaixam neste status-quo Olímpico ou de Copa do Mundo.
Marielle denunciou isso.
‘Choram Marielles e Clarices no solo do Brasil
Mas sei, que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança’
Ivo Herzog”
Em outro post, na rede social do Instituto Vladimir Herzog, fica a pergunta:
“Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?
Mulher, negra, lésbica e favelada, como ela mesmo gostava de falar, Marielle Franco dedicou a vida à defesa dos direitos humanos e era uma das mais ativas e poderosas vozes na luta contra as injustiças e barbáries cometidas pelo Estado brasileiro.
O assassinato de Marielle é mais um inaceitável episódio de violência contra aqueles que ousam denunciar as sistemáticas violações de direitos humanos no Brasil e está inserido em um contexto de instabilidade política e de avanço das forças conservadoras em nosso país.
Mas este crime brutal não irá calar a causa, a voz e o legado de Marielle e de todos aqueles que buscam mover as estruturas de uma sociedade injusta, racista e misógina como a nossa.
Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado por denunciar as atrocidades cometidas por um Estado violento e autoritário. A morte de Vlado foi o estopim para que a população brasileira, já indignada com tantos outros mortos e desaparecidos, se mobilizasse e fosse às ruas exigir o fim da ditadura.
Que a morte de Marielle – e de Anderson Gomes –, assim como a de Vlado, seja um basta capaz de transformar toda nossa dor em luta.
E que ninguém mais precise morrer para que essa guerra acabe.”
(Fabiane Christaldo/O Sul)
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