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Colunistas Flávio na cova dos leões

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(Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL/RJ) vive um momento especialmente incômodo para alguém que, até dias atrás, estava numa trajetória ascendente que parecia destinada a conduzi-lo ao cargo mais importante da República. Agora, ao invés de cobrar respostas, ele precisa dar explicações. Pior ainda: está exposto ao julgamento severo de pessoas dispostas a condená-lo sem se darem ao trabalho de ouvir o que ele tem a dizer em sua defesa.
A caminhada do senador se deparou, na quarta-feira passada, com o maior obstáculo que enfrentou até agora. Trata-se da publicação pelo site Intercept Brasil de uma gravação que vem dando o que falar. Em mensagem de áudio, o senador cobra a liberação de parte do dinheiro que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro havia prometido para ajudar a bancar um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Batizado de Dark Horse (expressão em inglês que significa azarão), o filme tem estreia prevista para o mês de setembro, bem na reta final da campanha eleitoral, e será estrelado pelo ator americano Jim Caviesel.

O episódio ainda não chegou à Justiça. No entanto, ninguém deve estranhar se, amanhã ou depois, a Procuradoria Geral da República ver na gravação algum motivo para processar Flávio e o Supremo Tribunal Federal, como tem feito com todas as denúncias que se referem à família Bolsonaro, levar o processo a julgamento. Os desdobramentos jurídicos, porém, talvez nem sejam o aspecto mais sensível desse episódio.

Independentemente de qualquer consequência jurídica que um processo como esse possa vir a gerar, as implicações políticas são imediatas. Flávio pode até conseguir provar, mais adiante, que não houve qualquer ilegalidade nos acertos com Daniel Vorcaro que foram jogados no ventilador pelo Intercept. Mas o estrago já está feito. E, dependendo da dinâmica de uma campanha eleitoral que ainda não começou oficialmente, mas já está nas ruas desde o ano passado, as consequências podem ser devastadoras para ele.

No limite das possibilidades, a repercussão negativa do episódio pode até mesmo cortar pela raiz as chances de vitória de uma candidatura presidencial que, até a semana passada, vinha assumindo até mesmo um ar de favoritismo discreto na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As mensagens estavam em um dos celulares de Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal e chegaram às mãos do Intercept sabe-se lá por qual caminho.

Nelas, o senador expressa solidariedade pela situação que o banqueiro estava atravessando, mas cobra o pagamento dos recursos prometidos. Flávio não menciona o valor que Vorcaro havia se comprometido a pagar — mas o site insiste em dizer que o total acertado teria sido de US$ 24 milhões. É, sem dúvida, uma senhora bolada!

Pela cotação do dólar comercial na quarta-feira passada, dia 14 de maio, quando a notícia foi publicada, isso alcançaria o valor de R$ 117 milhões. O Intercept, porém, preferiu fazer a conversão pela cotação na data da gravação da mensagem. Ou seja, 16 de novembro do ano passado, domingo, véspera da primeira prisão de Vorcaro. Na época, US$ 24 milhões valiam R$ 136 milhões — ou seja, mais ou menos R$ 20 milhões a mais do que a cotação na quarta-feira.
A escolha, certamente, não foi casual. Num caso rumoroso como esse, quanto mais alta a quantia envolvida no malfeito, maior será o potencial explosivo. Em outras palavras, R$ 117 milhões já seriam suficientes para deixar Flávio em situação para lá de embaraçosa. Mas, convenhamos, o efeito de R$ 136 milhões é mais embaraçoso ainda. Simples assim.

DICK VIGARISTA — A questão é que, até o momento, não se sabe exatamente quanto Vorcaro se comprometeu a investir para ajudar a financiar o filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro — e que, certamente, seria uma peça de destaque da campanha de Flávio à presidência. Mas, diante da proporção que o escândalo adquiriu desde o primeiro momento, a falta de certeza sobre a quantia prometida chega a ser um detalhe de menor relevância.

Pelo lado da esquerda, a primeira reação, para surpresa de absolutamente ninguém, partiu do deputado Lindbergh Farias (PT/RJ) — que mantém a família Bolsonaro sob vigilância raivosa, numa obsessão parecida com a do personagem trapalhão Dick Vigarista em seu esforço pela captura do pombo Doodle, no velho desenho animado de Hanna-Barbera. Minutos depois da gravação vir à tona, Lindbergh anunciou que protocolaria junto à Polícia Federal um pedido de prisão imediata de Flávio.

Reações como essa, claro, são do jogo. Pela ótica do PT e de toda a esquerda, Flávio e qualquer bolsonarista é e sempre será culpado e deve ser levado ao pelourinho até por deslizes menos constrangedores do que esse. É claro (e isso também é do jogo) que os partidos da esquerda tentarão explorar o áudio no limite de suas possibilidades. E irão além do que estiver a seu alcance para aniquilar a imagem daquele que, pelo menos até a semana passada, vinha sendo apontado como o adversário com mais chances de bater o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de outubro deste ano.

OMBRO A OMBRO — É improvável que qualquer eleitor que estivesse inclinado a votar em Flávio considere a mensagem publicada pelo Intercept como razão suficiente para dar seu voto a Lula ou a qualquer candidato de esquerda. O mais provável é que os eleitores que desembarcarem da candidatura de Flávio troquem o senador por outro candidato de direita. A pergunta é: quem poderia, na campanha deste ano, cumprir o papel que o filho mais velho de Jair Bolsonaro está cumprindo?

O que o episódio testará, no fundo, será a fidelidade dos eleitores de Flávio e o tamanho real da bolha bolsonarista. Pelo que se percebe até agora, os eleitores que demonstram uma fé cega no candidato e que votariam em Flávio em quaisquer circunstâncias não devem chegar a 15% do eleitorado — percentual insuficiente para que, sozinhos, eles levem o senador ao segundo turno da disputa. As chances do senador, portanto, dependem da capacidade que ele terá de atrair eleitores identificados com a direita (ou agastados com os governos de esquerda) que, mesmo não sendo bolsonaristas de carteirinha, se mostrem dispostos a votar em Flávio apenas para derrotar Lula.

Como esses eleitores reagirão aos áudios que já foram divulgados e aos que ainda virão à tona com mais conteúdos comprometedores? Será que a repercussão negativa das gravações será suficiente para excluir o senador da disputa? Será que, ao contrário disso, ele conseguirá convencer os apoiadores que o colocavam ombro a ombro com Lula na corrida eleitoral a manter seu apoio e seguir com ele até a linha de chegada?

Nuno Vasconcellos/O Dia

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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