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Geral “Foi a experiência mais brutal, intensa e mágica da minha vida”, diz mãe de gêmeos após parto sem acompanhantes no Reino Unido

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Os gêmeos Tropia Thwaites quando ficaram juntos pela primeira vez. (Foto: Arquivo pessoal)

Quando a professora universitária Gabriela Tropia, 36 anos, soube dos primeiros relatos do novo coronavírus, em janeiro deste ano, já ficou atenta. Apesar dos registros iniciais terem sido na China e ela morar no Reino Unido, a brasileira que vive há 13 anos em Londres já imaginou que o vírus altamente contagioso poderia chegar ao país e ela iria precisar se prevenir – até porque estava grávida de gêmeos e o parto estava previsto para acontecer no início de maio, quando a doença, que viria a se tornar uma pandemia, já teria atingido seu pico no território britânico.

Não deu outra; quando o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado no Reino Unido, ainda no final de janeiro, Tropia precisou mudar os planos do nascimento de seus dois filhos e reforçar ainda mais os cuidados com o pré-natal. Como uma gestação de gêmeos monocoriônicos-diamnióticos – que dividem a mesma placenta, mas estão em sacos amnióticos distintos – a professora tinha que ir aos hospitais de semana em semana para exames periódicos. “Uma pessoa de risco indo a um lugar de mais risco”, segundo Tropia descreveu a situação, contando que, além de máscaras, chegou a usar luvas e até óculos de proteção nos trajetos que fazia de Uber até a unidade de saúde. Tudo para evitar que se contaminasse.

Do primeiro caso confirmado até agora, o Reino Unido registrou mais de 191 mil infecções pelo novo coronavírus e 32 mil mortes, segundo o levantamento da Universidade Johns Hopkins, que se baseia nos dados oficiais do governo. Apesar de o governo britânico afirmar que grávidas não são mais suscetíveis a contrair o vírus, elas passaram a ser consideradas como grupo de risco pelo Ministério da Saúde do país.

Os filhos da professora nasceram no dia 28 de abril em um hospital londrino do NHS, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, equivalente ao SUS brasileiro. Nesse dia, a brasileira sentiu o maior impacto da pandemia na sua gestação. Como ela mesmo conta, não foi na forma como os bebês vieram ao mundo, mas quem estava ao seu lado na hora do parto. Para diminuir o risco de contágio, o sistema restringiu o número acompanhantes na hora das mães darem à luz. Apenas uma pessoa poderia ficar ao lado da grávida a partir de determinado momento do parto e depois deveria ir embora quando ela fosse transferida para o setor pós-natal, de acordo com as novas orientações do NHS.

Apesar do parto, natural, ter sido rápido — a bolsa da professora estourou na madruga de terça-feira, e os bebês nasceram na manhã do mesmo dia —, a experiência pela qual Tropia passou foi marcante. Ou, como ela descreve, “a mais brutal, mais intensa e mais mágica da vida”. Sozinha em um dos leitos da enfermaria, a brasileira passou pelo menos cinco horas sentindo as contrações e refletindo sobre o que estava acontecendo.

“No final, na hora que eu percebi que as contrações já estavam muito próximas e eu já estava muito perto de dar à luz. Então eu gritei que não queria mais estar sozinha. Foi a experiência mais brutal, mais intensa e mais mágica da minha vida.”

Tropia conta que logo veio uma parteira e constatou que a professora já estava fazendo força para os dois bebês saírem. Em seguida, chegou uma dezena de profissionais de saúde, entre obstetras, pediatras e enfermeiros, para fazer o parto dos gêmeos. A brasileira explicou que, por serem duas crianças nascendo, precisou do dobro da equipe.

Menos de uma hora depois, os gêmeos nasceram. Com 35 semanas, os dois chegaram ser levados à UTI neonatal, mas foram para o quarto alguns dias depois. Hoje, Tropia aguarda para o que os dois ganhem peso suficiente e, assim, recebam alta para irem para a casa pela primeira vez. Enquanto isso, a brasileira acabou ganhando um apelido pelos corredores do hospital e entre os funcionários: mãe super-heroína.

Os dois filhos de Tropia ainda não foram registrados e, por enquanto, são chamados de “os gêmeos Tropia Thwaites”, uma junção do sobrenome da professora com o de seu companheiro, Adam. Ela espera que o pai possa conhecer os bebês antes de decidirem quais serão os nomes. Até que isso aconteça, Tropia fica imaginando como será no futuro, quando a pandemia passar e os dois meninos puderem compartilhar a aventura que viveram antes mesmo de chegar ao mundo: “Eles vão poder contar: ‘nós nascemos no pico do coronavírus e a minha mãe foi sozinha para o hospital‘. Isso tudo vai ser muito especial.” As informações são do jornal O Globo.

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