Sábado, 05 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 13 de julho de 2024
A General Motors, que sempre defendeu ir direto para os carros 100% elétricos, sem passar antes pela etapa dos híbridos, mudou de posição e estratégia. A montadora, agora, decidiu usar parte do novo investimento, de R$ 7 bilhões, anunciado em janeiro, para o desenvolvimento e produção de veículos da categoria híbrida, que têm um motor a combustão e outro elétrico.
O que levou a direção da companhia americana a mudar de ideia? “O consumidor”, responde o presidente da GM na América do Sul, Santiago Chamorro. “O consumidor está dizendo: eu quero essa tecnologia. Acredito no futuro elétrico. Mas quero conseguir chegar lá”, afirma o executivo.
Chamorro entende que o híbrido “talvez seja uma tecnologia-ponte que possa nos levar até o futuro totalmente elétrico”. É no carro que só usa a energia elétrica que a matriz da GM, nos Estados Unidos, tem feito os investimentos mais pesados. Para o executivo, em termos de impacto ambiental, o carro 100% elétrico continua a ser melhor do que o o híbrido. Mas, ao mesmo tempo, o híbrido é melhor do que o a combustão.
O primeiro detalhamento do novo ciclo de investimentos no Brasil foi feito na manhã da quinta-feira (11) dentro da fábrica de Gravataí (RS). Dos R$ 7 bilhões anunciados, a primeira parte, de R$ 1,2 bilhão, será usada para o desenvolvimento de um veículo novo, produzido na fábrica gaúcha.
“Escolhemos começar por aqui por se tratar de um momento importante para a comunidade local, para dar um sinal de confiança e apoio”, destacou Chamorro. Com a presença do governador Eduardo Leite (PSDB), o evento foi marcado por forte comoção pelo simbolismo que representou anunciar investimentos de uma multinacional no Estado gravemente afetado pelas enchentes de maio.
Chamorro não revelou detalhes sobre o novo veículo que será produzido em Gravataí a partir de 2026. Hoje a fábrica produz a linha Onix num ritmo de 250 mil unidades por ano. Segundo o executivo, a empresa espera agregar volume anual de 80 mil unidades do novo veículo, que também será exportado. Trata-se de um modelo, disse Chamorro, de um segmento do qual a GM ainda não participa. A informação leva a acreditar que pode ser um utilitário esportivo compacto.
Mas não será com esse novo carro que a GM vai estrear no segmento dos híbridos. O modelo em desenvolvimento terá apenas motor a combustão. Segundo Chamorro, a empresa ainda vai anunciar quanto do novo ciclo de investimentos será destinado “às novas tecnologias”. Falta também a montadora detalhar quanto do novo pacote de recursos será destinado às “às novas tecnologias”. Falta também a montadora detalhar quanto do novo pacote de recursos será destinado às demais fábricas.
A companhia tem mais duas fábricas de veículos, uma em São Caetano do Sul (SP), a maior delas, e outra em São José dos Campo (SP), a menor. Há, ainda, uma unidade de produção de motores em Joinville (SC), que deverá receber uma parte substancial dos investimentos se mantida a estratégia de produzir carros híbridos no país.
Segundo Chamorro, o novo investimento contemplará, ainda, a adaptação da engenharia local para receber os carros elétricos que serão importados.
O ciclo de investimentos de R$ 7 bilhões abrange o período entre 2025 e 2028. Chamorro diz que tem trabalhado para a liberação de mais uma etapa de investimentos para o Brasil ainda nesta década.
Ao mesmo tempo, porém, ele prevê o risco de haver uma redução no ritmo dos investimentos do setor em decorrência da decisão de incluir carros no imposto seletivo, previsto na reforma tributária.
“Isso pode afetar o nível de emprego e a cadência do desembolso dos investimentos já anunciados por todas”, disse. A GM é uma das montadoras que recentemente revelaram grandes volumes de investimentos no Brasil. O total de recursos do setor para a década já soma mais de R$ 120 bilhões.