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Brasil Congresso reduz meta fiscal e autoriza déficit de até R$ 170,5 bilhões nas contas públicas

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A aprovação da meta era considerada essencial pela equipe econômica do governo do presidente interino Michel Temer (Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)

O Congresso Nacional aprovou, na madrugada desta quarta-feira (25), em sessão conjunta de deputados e senadores, o projeto de lei que reduz a meta fiscal de 2016 e autoriza o governo federal a fechar o ano com um déficit (despesas maiores do que receitas) de até R$ 170,5 bilhões nas contas públicas. Se confirmado esse déficit ao final do ano, será o pior resultado da série histórica iniciada em 1997. A aprovação ocorreu por votação simbólica (sem a contagem de votos no painel eletrônico), após mais de 16 horas de sessão.

A aprovação da meta era considerada essencial pela equipe econômica do governo do presidente interino Michel Temer porque, sem essa permissão para fechar o ano com déficit, várias despesas teriam que ser cortadas, o que afetaria investimentos e programas sociais.

Segundo a equipe econômica, a meta de até R$ 170,5 bilhões é um “teto”. O objetivo é que o rombo fiscal seja menor do que esse valor neste ano. Inicialmente, o governo da presidenta afastada Dilma Rousseff havia pedido uma revisão da meta fiscal, para autorizar déficit de R$ 96 bilhões. Na sexta-feira (20), a equipe econômica de Temer apresentou projeto revendo esse valor para R$ 170,5 bilhões.

Se o Legislativo não aprovasse a mudança na meta, o governo teria que cumprir a meta já aprovada para o ano com previsão de superávit de R$ 24 bilhões. Na prática, em meio ao momento de crise econômica e com cenário de menor arrecadação, isso pode paralisar a máquina pública.

A votação da meta fiscal teve início após mais de 13 horas de sessão em que foram analisados vetos presidenciais. Os parlamentares precisavam votar antes os vetos para conseguir liberar a pauta e dar início à análise do projeto de lei da meta. O PT liderou uma articulação em plenário com partidos contrários ao processo de impeachment de Dilma, como PCdoB e PDT, para tentar arrastar a sessão e impedir a votação da meta em protesto ao governo Temer.

Com a primeira etapa cumprida, o governo ganha fôlego para negociar no Congresso as medidas de austeridade anunciadas na terça-feira (24), entre elas o pagamento antecipado de R$ 100 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ao Tesouro Nacional. (AG) 

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