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Mundo Governo da Estônia aluga balsas para abrigar refugiados da Ucrânia

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Fluxo migratório causado pela guerra na Ucrânia faz países europeus buscarem alternativas para comportar ucranianos. (Foto: Marta Giaccone/NYT)

O free-shop no Deck 7 da ferry Isabelle foi transformado em armário e despensa, malas foram empilhadas na seção de perfumaria e geladeiras transparentes estão repletas de embalagens de alimentos etiquetadas. O cassino da embarcação, desativado, se tornou o ponto de encontro dos adolescentes e a casa noturna Starlight Palace, no Deck 8, é onde as mulheres se encontram para costurar redes de camuflagem – e enviá-las aos soldados ucranianos.

“Isso faz eu me sentir mais próxima deles”, afirmou Diana Kotsenko, com sua filha de 2 anos, Emiliia, puxando-a pelas calças.

Diana e a menina vivem há três meses na Isabelle, um navio de passageiros de 171 metros de comprimento alugada pelo governo da Estônia para abrigar temporariamente alguns dos 48 mil refugiados que chegaram a este pequeno país báltico desde que os russos invadiram a Ucrânia, em fevereiro.

A embarcação, que antes transportava passageiros em uma viagem que varava a noite entre Estocolmo e Riga, Letônia, agora está atracada próximo ao Terminal A do Porto de Tallin, capital da Estônia. Suas 664 cabines abrigam cerca de 1,9 mil pessoas – a maioria mulheres e crianças que entram e saem quando querem da embarcação, através de sua cavernosa porta de cargas.

Os moradores da ferry representam uma minúscula fração dos mais de 6,3 milhões de ucranianos que fugiram para outros países da Europa. A transformação é um sinal das pressões que a onda de refugiados causa sobre os países que os recebe bem, na maioria dos casos.

A Isabelle foi alugada em abril, por quatro meses, da Tallink, uma empresa de transporte marítimo estoniana, com o objetivo de servir de abrigo de emergência. No entanto, sem ter onde colocar seus moradores, o governo estendeu o contrato de aluguel até outubro.

A falta de habitação para os refugiados tem criado intensa pressão em todo o continente, assim como no Reino Unido. Habitações baratas são escassas, e os preços dos aluguéis estão aumentando.

Na Escócia, o governo anunciou no mês passado que suspendeu o programa de ajuda a refugiados ucranianos em razão da falta de habitações. Na Holanda, refugiados têm dormido sobre a grama de um asilo superlotado no vilarejo de Ter Apel. No início desta semana, o Conselho Holandês para Refugiados anunciou planos para processar o governo em razão da falta de abrigos que, segundo a entidade, caiu a um patamar abaixo do padrão mínimo estabelecido pela lei.

Entre todos os desafios que os ucranianos que escaparam para lugares seguros enfrentam, o mais urgente é o acesso à moradia, de acordo com um novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O problema para encontrar acomodações mais definitivas deve apenas piorar com a crescente inflação, concluiu o relatório.

“Evidências preliminares também sugerem que a falta de habitação é uma das principais motivações para os refugiados retornarem para a Ucrânia, apesar dos riscos à segurança”, afirmou o documento.

Os governos – que enfrentavam dificuldades para abrigar refugiados e solicitantes de asilo de outras partes do mundo – estabeleceram instalações de acolhimento emergencial, alugaram hotéis e financiaram hospedagens nos lares de seus cidadãos. Entretanto, com os centros de recepção incapazes de atender a alta procura, estádios, contêineres, tendas e até navios de passageiros têm sido usados como moradia provisória.

Na Estônia, o governo acionou a Tallink, que no passado havia alugado seus navios para servir de habitação temporária durante projetos de construção, hospedar militares e uso em eventos. Uma das embarcações hospedou policiais durante a cúpula do Grupo dos 7 no Reino Unido, no ano passado. Outra foi alugada durante a conferência global sobre o clima em Glasgow, no outono passado.

O governo escocês apelou para a Tallink quando testemunhou sua própria crise de habitação de refugiados – e, na semana passada, o primeiro grupo de ucranianos se instalou em um navio da Tallink ancorado no Porto de Edimburgo.

A Holanda também está usando navios de passageiros para abrigar refugiados. Em abril, 1,5 mil refugiados se instalaram em um navio da Holland America Line atracado em Roterdã. Na semana passada, a agência governamental de emissão de asilo anunciou que planejava alugar outras duas embarcações da Tallink por sete meses.

Em Tallin, a Isabelle havia estado fora de serviço em razão das restrições a viagens relativas à pandemia de covid desde 2020, antes de ser destinada para abrigar refugiados.

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