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Economia Governo diz ter recebido com “surpresa” o veto da União Europeia à carne brasileira e promete que agirá “prontamente para reverter a decisão”

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As exportações de carnes (inclui bovinos e carne branca) para os 27 países da UE foram de US$ 1,8 bilhão em 2025. (Foto: Freepik)

O governo federal disse que recebeu com “surpresa” a decisão da União Europeia (UE) de excluir o Brasil dos países autorizados a exportar carne animal para o bloco econômico. Segundo o Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC), o Executivo “tomará prontamente” as medidas necessárias para reverter a exclusão.

“O governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados, e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”.

Na nota, a pasta ressalta que a decisão passa a valer a partir de 3 de setembro, e que as exportações seguem acontecendo normalmente.

O chefe da delegação do Brasil junto à União Europeia tem reunião agendada para esta quarta-feira (13) com as autoridades sanitárias do bloco para discutir a decisão, segundo o governo.

“Detentor de um sistema sanitário robusto e de qualidade internacional reconhecida, o Brasil é o maior exportador do mundo de proteínas de origem animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu”, diz o texto.

O governo Lula afirma que “tomará prontamente” todas as medidas necessárias para reverter a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para a bloco, partir de 3 de setembro de 2026.

Sueme Mori, diretora de Relações Internacionais da Confederação Nacional da Agricultura, disse que a decisão da União Europeia preocupa especialmente considerando que o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor no início desse mês.

“Importante destacar que o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de produtos de origem animal por causa da excelência da qualidade e da sanidade da sua produção. A CNA, que esteve presente ao longo de todo o processo de negociação do acordo, buscará o diálogo com as autoridades europeias para reverter essa medida”, disse Sueme.

A UE é um parceiro comercial importante para o Brasil. Segundo dados do Agrosat, sistema de dados o Ministério da Agricultura, as exportações de carnes (inclui bovinos e carne branca) para os 27 países da UE foram de US$ 1,8 bilhão em 2025, o que faz do bloco o segundo maior destino do produto. Naquele ano, o Brasil exportou US$ 31,8 bilhões de carnes. A China aparece na primeira posição, com US$ 9,8 bilhões.

Considerando os três primeiros meses de 2026, a UE cai para o terceiro lugar, atrás dos EUA.

Individualmente, os países da UE não estão entre os principais destinos da carne bovina brasileira, segundo dados disponíveis no site da Abiec, associação que reúne os exportadores do produto. Os principais compradores são China, EUA, Chile e Rússia.

Segundo Bruxelas, o Brasil não foi incluído porque ainda não apresentou garantias suficientes sobre a não utilização de determinados produtos antimicrobianos na criação de animais.

Apesar disso, autoridades europeias indicaram que a lista poderá ser atualizada em breve caso o governo brasileiro responda às solicitações pendentes.

A medida ocorre em meio à pressão de agricultores europeus e de países como a França após a entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul.

O acordo começou a valer em 1º de maio de forma provisória e ainda aguarda uma decisão judicial na Europa sobre sua legalidade.

Gesto político

A divulgação da lista foi interpretada como um gesto político e regulatório da União Europeia para demonstrar rigor sanitário diante das críticas de setores agrícolas europeus.

“Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.

Pelas regras europeias, é proibido utilizar antimicrobianos em animais para acelerar crescimento ou aumentar produtividade.

A legislação também veta o uso, em animais, de antibióticos considerados essenciais para o tratamento de infecções humanas.

As restrições fazem parte da política da União Europeia para combater a resistência bacteriana aos medicamentos e reduzir o uso considerado desnecessário de antibióticos na pecuária. As informações são do jornal O Globo.

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