Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

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Brasil Governo federal segura a liberação de emendas para exigir fidelidade da base aliada

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A popularidade do presidente Michel Temer pouco se alterou nos últimos meses. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O Palácio do Planalto decidiu segurar a liberação de emendas para exigir fidelidade da base aliada e garantir o apoio de parlamentares à eventual candidatura do presidente Michel Temer à reeleição, de acordo com informações divulgadas pelo blog do jornalista Gerson Camarotti.

Desde que a reforma da Previdência foi arquivada, a ordem no núcleo palaciano é segurar as emendas e demandas parlamentares para dar um “freio de arrumação” na base. “Inverteu a lógica. Antes, era o governo que precisava da base para votar a reforma da Previdência. Agora, é a base que está procurando o governo”, disse um auxiliar direto do presidente.

De forma reservada, parlamentares da base já começam a reclamar desse comportamento do governo. “O Planalto fechou a torneira. Percebeu que a pauta legislativa acabou e começou a jogar pesado pela reeleição de Temer”, desabafou um líder da base governista.

Popularidade

A popularidade do presidente Michel Temer pouco se alterou nos últimos meses, segundo pesquisa CNT/MDA divulgada na terça-feira (06). O levantamento mostrou que a avaliação ótima/boa do governo passou a 4,3% em março, ante 3,4% em setembro.

A pesquisa do instituto MDA para a CNT (Confederação Nacional do Transporte) apontou que a avaliação ruim/péssima foi a 73,3%, contra 75,6%, enquanto a avaliação regular do governo passou a 20,3%, ante 18% na pesquisa anterior. A margem de erro da sondagem é de 2,2 pontos percentuais.

Ainda de acordo com o levantamento, o percentual dos que desaprovam o desempenho pessoal do presidente é de 83,6% – era de 84,5% em setembro –, enquanto os que aprovam somam 10,3%, em comparação a 10,1%. A pesquisa foi realizada de 28 de fevereiro a 3 de março, em 137 municípios, com 2.002 pessoas.

Forças Armadas

O protagonismo exercido por militares no governo de Michel Temer tem gerado incômodo nos corredores do Palácio do Planalto. A proximidade do presidente com a caserna ganhou papel de destaque após a intervenção no Rio, em que deu a um general a tarefa de tentar controlar a violência no Estado, e ao nomear outro para comandar interinamente o Ministério da Defesa.

A reação, ainda velada, vem de auxiliares e aliados, que argumentam não ser bom para o presidente ter a sua imagem atrelada à dos militares. Contudo, o que tem mais pesado é o temor de perderem espaço político ao lado de Temer com a ascensão de generais a postos estratégicos. Atualmente, um dos principais consultores do presidente é o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Sérgio Etchegoyen.

Temer, porém, tem afirmado em resposta às desconfianças que é preciso acabar com o “preconceito” em relação às Forças Armadas. Argumenta que os militares deveriam “estar mais presentes na administração do País”.  Ao menos no caso do Ministério da Defesa, Temer tem sido pressionado a rever a indicação do general Joaquim Silva e Luna, primeiro militar a chefiar a pasta. A intenção do presidente era mantê-lo no cargo, mesmo como interino, até o fim do mandato, mas nos últimos dias já admite substituí-lo por um civil.

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