Quinta-feira, 04 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 4 de junho de 2026
Foco principal está em hotelaria, infraestrutura, parques, cruzeiros e experiências na natureza.
Foto: DivulgaçãoO governo Lula busca atrair investimentos de empresas chinesas para o setor de turismo, em uma estratégia para ampliar a presença de visitantes estrangeiros no país. O foco está em áreas como hotelaria, infraestrutura turística, parques temáticos, cruzeiros e experiências ligadas à natureza.
Uma das iniciativas do Ministério do Turismo para facilitar a entrada de capital estrangeiro foi a tradução para o mandarim de um guia de investimentos elaborado em parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e a ONU Turismo. O documento reúne projetos do setor que somam potencial de investimento de até US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões).
Entre os empreendimentos destacados está o Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa (PB), que reserva uma área de 1,3 milhão de metros quadrados para a construção de um complexo turístico. Segundo o Ministério do Turismo, o projeto deverá se tornar o maior do Nordeste quando estiver concluído.
Um dos atrativos apresentados aos investidores é a oferta de incentivos fiscais. De acordo com o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a estratégia está voltada para segmentos considerados prioritários e tem a China como alvo devido à relevância do país no mercado global de turismo.
“Os chineses têm investido bastante no nosso país e nós fizemos a tradução do guia em mandarim para que a barreira da língua seja vencida”, afirmou o ministro.
Dados da plataforma chinesa Trip indicam que o Brasil é o destino mais procurado por turistas chineses que viajam para a América do Sul. Atualmente, grande parte dessa demanda está relacionada ao turismo corporativo, com visitas para feiras, eventos e reuniões de negócios.
Em 2025, o Brasil liderou o recebimento de investimentos chineses na América Latina, registrando recorde no número de projetos de empresas do país asiático, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Foram US$ 6,1 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) investidos, alta de 45% em relação ao ano anterior.
“Nós já temos uma relação comercial muito forte com a China. É o principal parceiro comercial do Brasil, e o turismo de negócios já está bastante aquecido. Agora, esperamos ampliar também o turismo de lazer e recreação”, disse Feliciano.
Uma das medidas adotadas pelo governo para incentivar esse movimento foi a isenção de visto para cidadãos chineses, em vigor desde o início deste mês. Com a mudança, turistas da China podem permanecer no Brasil por até 30 dias ao ano sem necessidade de visto.
A decisão foi tomada em reciprocidade à medida anunciada por Pequim no ano passado, que dispensou a exigência de visto para brasileiros. A regra chinesa permite estadias de até 30 dias por entrada no país.
A isenção concedida pela China passou a valer em junho do ano passado como parte de um pacote que beneficiou diversos países. A contrapartida brasileira já estava prevista, mas levou mais tempo para ser formalizada.
O governo brasileiro defendia que a medida fosse consolidada por meio de um acordo bilateral. Para o governo chinês, porém, a exigência não fazia sentido, já que a dispensa de visto para brasileiros integrava uma política mais ampla aplicada a outras nacionalidades.
A formalização ocorreu por meio de notas diplomáticas trocadas em abril. Na ocasião, o chanceler chinês, Wang Yi, assinou retroativamente o documento que confirmou a retirada da exigência de visto, já em vigor desde o ano anterior.
(Com Folhapress)
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