Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de fevereiro de 2016
Grávidas com diagnóstico de infecção pelo vírus da zika estão recorrendo ao aborto clandestino antes mesmo da confirmação se o feto tem ou não microcefalia. Médicos revelaram alguns casos. As gestações estavam entre a sexta e oitava semana e foram interrompidas com o misoprostol, medicamento obtido no mercado ilegal, já que a venda é proibida.
Segundo o infectologista Artur Timerman, duas grávidas de São Paulo o procuraram nas últimas semanas com sintomas de zika e a doença foi confirmada. “Elas perguntaram se havia risco de o bebê desenvolver microcefalia. Eu disse que sim, mas não saberia estimar quanto [seria o risco]”, disse Timerman, que afirmou ter sabido depois que as pacientes tinham feito o aborto com outros profissionais.
No Brasil, o aborto só é permitido em casos de estupro, risco de vida da mãe e quando o feto é anencéfalo. Com o aumento de casos suspeitos de microcefalia (são 3.448), advogados, acadêmicos e ativistas articulam uma ação pedindo ao STF (Supremo Tribunal Federal) o direito ao aborto quando há a má-formação. É o mesmo grupo que propôs a ação para interrupção da gravidez de anencéfalos, acatada pelo Supremo em 2012. (AE)
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