Segunda-feira, 03 de Agosto de 2020

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Rio Grande do Sul Há exatos 40 anos, o papa João Paulo II visitava Porto Alegre

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Fato é tema de um minidocumentário exibido a partir deste sábado na internet. (Foto: Divulgação/Arquidiocese de Porto Alegre)

Este sábado (4) marca o 40º aniversário da visita do papa João Paulo II a Porto Alegre. Nascido na Polônia como Karol Vojtyla (1920-2005), ele ocupava o cargo desde 1978 quando esteve na capital gaúcha por 22 horas, a fim de participar de um encontro da Igreja Católica. A passagem pela cidade incluiu a celebração de missa campal para 300 mil pessoas nas imediações do Estádio Olímpico.

Até aquela tarde de 4 de julho de 1980 (uma sexta-feira) na pista de desembarque do então antigo Aeroporto Internacional Salgado Filho, nenhum Sumo Pontífice havia pisado na cidade – curiosamente, o seu antecessor João Paulo I (que morreu apenas 33 dias após assumir o papado) havia estado em Santa Maria (Região Central) em 1975, quando ainda era o cardeal italiano Albino Luciani.

João Paulo II foi recebido por autoridades como o então arcebispo metropolitano Dom Vicente Scherer (1903-1996), que o acompanhou até a Cúria, prédio anexo à Catedral Metropolitana (Centro Histórico) e cujas instalações serviriam para o seu pernoite. Não demorou para que milhares de pessoas se dirigissem ao local, à espera de algum aceno ou palavra de um dos mais populares chefes do Vaticano na história.

À noite ele fez um pronunciamento diante de mais de 50 mil fiéis que se aglomeram na Praça da Matriz, sob forte esquema de segurança e que transcorreu sem incidentes. A memória afetiva da cidade ganhava ali a lembrança de cânticos como “Abênção, João de Deus” e palavras-de-ordem como “Ucho, ucho, ucho, o papa é gaúcho!”, entoados em meio ao frio de inverno.

Sorridente e esbanjando carisma, João Paulo II respondia ao microfone com manifestações de carinho – em um português surpreendemente claro – que levaram ao delírio a multidão. “Ontem me diziam que o clima aqui em Porto Alegre é muito frio, mas eu sinto o contrário, um grande calor!”, discursou, antes de lançar uma bem-humorada provocação (respondida com ovações): “O papa é gaúcho?”.

Logo depois, ele participou de pelo menos dois encontros reservados, sendo que em um dos quais recebeu o título de “Cidadão Porto-alegrense”. No dia seguinte, um sábado, dois grandes eventos o aguardavam.

Pela manhã, a já mencionada missa campal em uma área da avenida José de Alencar (Azenha) hoje conhecida como “Rótula do Papa”. À tarde, um encontro com religiosos cristãos e judaicos no ginásio Gigantinho, precedido de mais um gesto de simpatia: ele vestiu um chapéu “gaudério” e tomou chimarrão.

O deslocamento de João Paulo II pelas ruas da cidade nessa triangulação entre os bairros Centro Histórico–Azenha–Menino Deus foi realizado a bordo do célebre “Papamóvel”, adaptado a partir de um pequeno caminhão “Mercedinho” da fábrica alemã Mercedes-Benz. Nas calçadas, famílias inteiras acenavam, agitavam bandeiras e se emocionavam. Por volta das 15h, a comitiva pegou o caminho de volta para o aeroporto, a fim de prosseguir a visita a outras capitais brasileiras.

Karol Vojtyla exerceu o papado durante um total de 26 anos, até falecer em abril de 2005, sendo sucedido pelo alemão Joseph Ratzinger (Bento XVI) e pelo argentino Jorge Bergoglio (Francisco). Em abril de 2014, nove anos após a sua morte, João Paulo II foi canonizado pelo Vaticano, tendo 22 de outubro como dia litúrgico.

Documentário

Esse acontecimento que marcou a história local motivou a Arquidiocese de Porto Alegre a produzir um minidocumentário, que estreia no final da tarde deste sábado no site oficial www.arquidiocesepoa.org.br, bem como nas redes sociais e na página da instituição no portal de vídeos YouTube.com. O material inclui imagens de arquivo, depoimentos e outras informações.

(Marcello Campos)

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