Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de outubro de 2018
O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira (16) que sua campanha decidiu não manter ninguém da equipe econômica do atual presidente, Michel Temer, caso seja eleito. As informações são da agência de notícias Reuters.
“A partir do dia 1º de janeiro, a equipe do Temer sai e entra uma nova equipe. Bolsonaro diz que vai manter, nós não vamos manter ninguém do alto escalão da equipe econômica do Temer”, disse Haddad durante coletiva de imprensa em São Paulo.
O petista voltou a afirmar que quer construir um governo o mais amplo o possível e disse que continua fazendo sondagens a pessoas que respeita, mas ressaltou que não houve nenhum convite formal ainda.
Arestas
Haddad disse nesta terça-feira entender que arestas precisam ser aparadas após declarações na véspera do senador eleito Cid Gomes (PDT-CE) criticando o PT e afirmando que o partido deve mesmo perder a eleição para Jair Bolsonaro (PSL), mas ressaltou que o problema não é com ele.
“O Cid e o Ciro ficaram ressabiados com o PT, por razões locais, do Ceará… eu sei que não é comigo o problema. Eu sou muito amigo dos dois, tanto do Cid, como do Ciro. Aliás, ontem ele (Cid) fez referências elogiosas à minha pessoa”, disse Haddad em entrevista à rádio Jovem Pan.
“De maneira que eu entendo essas arestas que têm que ser aparadas, mas meu respeito por eles continua o mesmo, o meu desejo de que participem da campanha continua o mesmo”, acrescentou.
Na noite de segunda-feira, em evento da campanha de Haddad em Fortaleza sem a presença do petista, Cid, irmão do candidato presidencial Ciro Gomes (PDT), que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, disse que o PT ainda precisa fazer autocrítica.
“Tem que fazer um mea culpa. Tem que pedir desculpas. Tem que ter humildade. Tem que ter humildade e reconhecer que fizeram muita besteira”, disse Cid, sendo vaiado por alguns militantes presentes, de acordo com vídeo do evento divulgado nas redes sociais.
“É assim? Então tu vai perder a eleição. Não admitir um mea culpa, não admitir os erros que cometeram, isso é para perder a eleição e é bem feito. É bem feito perder a eleição.”
Em mensagem no Facebook nesta terça-feira, Cid afirmou que, após comparar os dois nomes, Haddad é “infinitamente melhor” que Bolsonaro. “Eu não quero me vingar de ninguém. Para o Brasil, o menos ruim é o Haddad. Por isso penso que seria melhor que ele ganhasse”, disse, insistindo, porém, que seria preciso “uma profunda autocrítica da companheirada seguida de um encarecido e sincero pedido de desculpas”.
Em entrevista a uma rede de rádios do Piauí também nesta terça-feira, Haddad disse esperar uma “declaração explícita de apoio” de Cid a sua candidatura antes das eleições “porque ele (Cid) sabe o risco que o país corre se alguém da classe do Jair Bolsonaro for eleito presidente”.
Cobrado mais uma vez sobre a necessidade de reconhecer os erros cometidos pelo PT, Haddad repetiu na entrevista à Jovem Pan que ele, pessoalmente, tem feito isso há tempos.
“O pessoal fala, ‘Haddad, você não reconhece que a Dilma errou no final do governo, do primeiro mandato dela, em condição político-econômica?’. Eu, na época dei entrevista criticando algumas medidas. Por exemplo, a desoneração de alguns setores colocou um problema nas contas públicas”, disse.
“O problema todo é que depois que ela ganhou, quando ela foi corrigir o que estava errado, o pessoal começou a bombardear, sabotar, até tirar ela do poder. Então, ‘você assume a responsabilidade da Dilma por certos equívocos?’, assumo, mas eu sempre incluo que o Aécio (Neves) e o Eduardo Cunha não pensaram no país, pensaram neles próprios e em chegar ao poder”, acrescentou.
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