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Brasil Haddad e Ciro mudaram as suas estratégias na reta final

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Os candidatos do PDT e do PT disputam votos do eleitorado de esquerda. (Foto: Reprodução)

Os dados do Datafolha divulgados no final da semana que passou provocaram realinhamentos nas principais candidaturas à Presidência da República.

O candidato Fernando Haddad (PT) reviu a estratégia do último dia antes do primeiro turno e decidiu focar, mais uma vez, o eleitorado nordestino, tradicional reduto lulista.

Ciro Gomes (PDT) voltou as baterias contra o petista, na tentativa de avançar sobre o eleitorado de esquerda com o apelo da terceira via.

Líder isolado nas pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL) procura estimular a onda que impulsiona sua candidatura na reta final para obter vitória já no domingo (7). O capitão reformado diz querer evitar desgastes em eventual segundo turno contra o PT.

O cenário nas últimas pesquisas provocou uma mudança de planos no QG petista.

Em vez de participar de um evento no ABC paulista, berço político do ex-presidente Lula, como era o plano inicial, Haddad fez neste sábado (6) uma caminhada em Feira de Santana, na Bahia, ao lado de Jaques Wagner, candidato ao Senado, e do governador Rui Costa, que disputa a reeleição com altos índices de popularidade.

Diante das dificuldades de Haddad, Ciro mirou a campanha petista para tentar obter um crescimento de véspera.

Em visita relâmpago debaixo de chuva à favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o pedetista elogiou o caráter de Haddad, mas se apresentou como o único capaz de vencer o candidato do PSL.

“Haddad disputou a última eleição há dois anos e perdeu para um farsante como o [João] Doria. Ele não é má pessoa. Isso não diz nada contra a dignidade dele. Mas diz sobre a personalidade dele, que talvez não tenha ‘punch’, não tenha energia, não tenha autoridade nem a marra para enfrentar essa onda fascista que está tomando conta do Brasil”, afirmou Ciro.

Ele ficou cerca de 15 minutos na Rocinha, sem sair da entrada da via Ápia — uma das principais ruas de acesso à favela. Subiu num pequeno carro de som e discursou por dois minutos.

“Só a minha candidatura pode salvar o Brasil do precipício, do preconceito, da violência que vai levar o País para o abismo”, afirmou.

Na pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (6), o candidato do PDT aparece em terceiro lugar, com 15% das intenções de votos válidos.

Ele classificou como “completamente provável” uma virada sobre o petista.

“Estou me deslocando e pedindo a bola. É só olhar o que aconteceu nas pesquisas das eleições passadas. Nesse dia, o segundo turno nas eleições passadas era entre Marina [Silva] e Dilma [Rousseff]”, afirmou Ciro.

Diante da estagnação, com 8% dos votos válidos, em empate técnico com o pedetista, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) preferiu não fazer movimentos bruscos.

Sujeito a críticas de tucanos e aliados, o ex-governador paulista manteve a estratégia de se colocar como alternativa moderada entre dois extremos, Haddad e Bolsonaro.

Nos últimos dias, avolumaram-se comentários de que Alckmin deveria ter mirado prioritariamente o petista, para se beneficiar da rejeição ao ex-presidente Lula e seu partido. No entanto, a sua campanha considerou necessário desconstruir Bolsonaro.

Avaliou-se a posteriori que, com isso, boa parte do eleitorado de direita que costumava votar no PSDB se sentiu mais representada pelo capitão reformado, que atacou sem parcimônia o petismo.

No debate da TV Globo, na quinta (4), e de novo na sexta (5), Alckmin manteve o discurso. “O eleitor é que vai procurar nestes últimos dias ver quem tem mais chance aí para a terceira via, para a gente sair do radicalismo no segundo turno”, disse, no Rio de Janeiro.

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