Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de outubro de 2018
Cobrado pelo mercado para fazer acenos sobre a sua disposição de levar adiante reformas para recuperar a economia caso seja eleito presidente da República, o candidato do PT , Fernando Haddad , indicou no debate da TV Globo, na quinta-feira (4), de que forma pretende tratar esse tema na disputa eleitoral. No programa, o petista deixou aberta a possibilidade de implantar a idade mínima numa reforma da Previdência, mas com a condição de proteger alguns grupos de trabalhadores.
De acordo aliados, os sinais de Haddad sempre seguirão nessa linha: aceita discutir os pleitos dos investidores e do eleitorado ao centro, mas sem seguir integralmente o que o mercado quer. Lideranças petistas dizem que o candidato fará conversas com representantes do mercado se passar ao segundo turno.
“A ideia é tirar da discussão da idade mínima quem ganha até uma determinada faixa de renda e o trabalhador rural. Não dá para ter a mesma regra para todo mundo. Os brasileiros, infelizmente eu digo isso, são muito diferentes. A expectativa de vida dos brasileiros é muito diferente, dependendo da região e dependendo da renda”, disse Haddad, ao comentar uma resposta de Ciro Gomes (PDT) durante o debate.
O estabelecimento da idade mínima na reforma da Previdência é um tema tabu no PT. Integrantes da direção da legenda e da CUT (Central Única dos Trabalhadores), central sindical ligada ao partido, são contra a inclusão do tema mesmo com a proteção de algumas categorias.
O programa de de governo da candidatura de Haddad registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não fala em promoção de reforma na Previdência. Diz que o equilíbrio das contas da Previdência é possível “a partir da retomada da criação de empregos, da formalização de todas as atividades econômicas e da ampliação da capacidade de arrecadação, assim como do combate à sonegação”.
Fala ainda em “medidas para combater, na ponta dos gastos, privilégios previdenciários incompatíveis com a realidade da classe trabalhadora brasileira”. “Ademais, o governo buscará a convergência entre os regimes próprios da União, dos estados e dos municípios com o regime geral”, afirma trecho do programa de governo petista.
Segundo um aliado, caso seja eleito, Haddad vai avaliar os cenários econômicos e políticos para definir de que forma vai encaminhar a reforma. O petista quer analisar a formação do Congresso que será eleito no próximo domingo para saber que condições terá para levar adiante a implantação de mudanças na Previdência. Esse aliado diz que “talvez não seja preciso fixar idade mínima”.
Sem citar a proposta de “criar as condições” para uma Assembleia Constituinte, que consta do programa de governo de sua candidatura, Haddad afirmou ontem, durante agenda de campanha em Belo Horizonte, que irá apostar em reformas constitucionais para encaminhar temas econômicos:
“Nós vamos reformar a parte tributária da Constituição e fazer a reforma bancária. É para isso que nós vamos reformar a Constituição. Não é para mudar por princípio, é para mudar aquilo que é injusto, que é o sistema tributário e o sistema bancário”, disse o petista.
Voltando as baterias contra Jair Bolsonaro, Haddad acusou o candidato do PSL de “atacar” princípios da Constituição e de realizar uma campanha criminosa “injuriando e difamando pessoas”.
“A nossa Constituição tem princípios muito célebres que estão sendo atacados sobretudo pelo Bolsonaro.”
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