Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de dezembro de 2017
Os tucanos reagiram nessa segunda-feira (04) à entrevista do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao jornal “Folha de S.Paulo”, na qual ele criticou o PSDB e disse que a saída do partido do governo “terá consequências eleitorais” em 2018. De acordo com Meirelles, os tucanos não estão comprometidos com a política econômica, que será o “legado” do presidente Michel Temer.
“É uma deslealdade dele com o PSDB”, disse ao Estado/Broadcast o deputado Ricardo Tripolli, líder do PSDB na Câmara. “Em vez de verificar quantos votos o partido dele (PSD) têm na base, Meirelles fica atacando o PSDB. Isso de defender o legado do Temer é besteira. Vamos mostrar à sociedade que vamos continuar com as reformas, estabilizar o País e fazer voltar a crescer.”
Presidente interino do PSDB, o ex-governador Alberto Goldman também criticou a entrevista. “Ele falou mais do que devia”, afirmou o dirigente ao Estado/Broadcast. Segundo Goldman, o ministro Meirelles tem “plena consciência” de que o PSDB é à favor da reforma da Previdência.
Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), também criticou Meirelles por falar de questões políticas em vez de estar focado na reforma da Previdência. Conforme Maia, essa postura do ministro geraria insegurança na articulação do governo com a base aliada para a votação da reforma ainda este ano.
“Acho que foi uma entrevista num momento inadequado, em que deveria focar na reforma da Previdência, como a gente está focando. A entrevista dele deveria ser só sobre previdência”, disse Maia, em entrevista concedida nesta segunda-feira na Federação da Indústria do Rio de Janeiro. “Acho que tratar de política neste momento, gera mais insegurança no processo.”
PSDB
O PSDB já é considerado fora da base do governo. No último sábado (2) o futuro presidente do partido, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin esteve com o presidente Michel Temer na cerimônia do Minha Casa, Minha Vida, em Limeira (SP). Alckmin evitou falar sobre a saída.
“Quero dizer ao presidente Temer que conte conosco, a boa política é buscar entendimento, entendimento para resolver os problemas do Brasil e melhorar a vida das pessoas”, afirmou.
Durante o evento, os dois riram conversaram e depois ainda tiveram uma conversa reservada em um dos trajetos da viagem. A negociação é para uma saída menos traumática possível.
“Será uma coisa cortês e elegante, como é do meu estilo e como é do estilo do governador, não é? Eu tenho certeza que o PSDB deu uma grande colaboração para o governo”, disse o presidente Temer.
O PSDB tem 46 deputados e qualquer voto está fazendo diferença na votação da reforma da Previdência. E o presidente Temer disse no fim de semana que vai fazer de tudo para votar ainda este ano a proposta de emenda à Constituição, que precisa de no mínimo 308 deputados para ser aprovada.
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