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Tarso Genro, ex-governador do RS (Foto: Divulgação)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Hoje, completam-se 10 anos de instabilidade do PT.  A 11 de abril de 2006, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciou 40 pessoas ao Supremo Tribunal Federal sob acusação de integrarem “organização criminosa” comandada por José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil, e pelos petistas José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira.

Para o procurador, o grupo se associou à “quadrilha” do empresário Marcos Valério, com apoio de diretores do Banco Rural, para dar “continuidade ao projeto de poder do PT, mediante a compra de suporte político de outros partidos”, ou seja, o mensalão.

NÃO FALTOU AVISO

A reação mais lúcida foi do coordenador político do governo, Tarso Genro, ao propor a refundação do PT, que não teve andamento. Queria que o partido assumisse todas as responsabilidades, aceitando a punição de cada envolvido em denúncias de corrupção. Foi o suficiente para que José Dirceu rompesse definitivamente com Tarso.

SEM TEMOR

Na denúncia de abril de 2006, a Procuradoria-Geral da República silenciou sobre suposta participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquemão, declarando que manteria em sigilo esta parte da investigação.

Nos últimos dias, instalado em um hotel de Brasília para atender parlamentares carentes, Lula apresenta-se como companheiro, herói e salva-vidas. Baseia-se em fatos passados: o sucesso da reeleição à Presidência em outubro de 2006 e a ascensão de sua indicada ao Planalto em meio ao turbilhão constante de denúncias.

NINGUÉM CONTEVE

A votação de hoje na Comissão Especial da Câmara dos Deputados expressa a inconformidade com o acúmulo de episódios que envolveram propinas milionárias, pondo em risco a Petrobras. O impeachment está previsto na Constituição e se resume a um julgamento político, na maioria das vezes sob pressão da opinião pública.

O PT teve dez anos para correção de rumos. Não só deixou de fazer isso como agravou o quadro, levando muitos de seus líderes ao cumprimento de penas. É o momento mais difícil da história iniciada a 10 de fevereiro de 1980 com a promessa de conduzir os trabalhadores a melhores condições de vida.

PRÓDIGOS

Os votos de alguns deputados federais na Comissão Especial sobre o Impeachment mostraram com é admirável a criatividade: quando não têm nada para dizer, falam mais ainda.

TEM PESO NA ECONOMIA

O Rio Grande do Sul tem 1 milhão e 190 mil micro e pequenas empresas, ocupando a quarta posição no País com 7,3 por cento do total. São Paulo lidera com 4 milhões e 119 mil, representando 27,7 por cento. Dados do Empresômetro, mantido com supervisão do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação.

DIFERENÇA

Em nota publicada ontem nesta coluna, o ex-governador Jair Soares faz referência que, lamentavelmente, é esquecida: há projetos de governo e de Estado. Um visa às urnas e o segundo vê bem mais adiante.

RÁPIDAS

* “Política não se faz com ódio, pois não é função hepática. É filha da consciência, irmã do caráter, hóspede do coração.” (Ulysses Guimarães).

* A 11 de abril do ano passado, pesquisa Datafolha mostrou: 63 por cento dos entrevistados no País queriam a abertura do processo de impeachment.

* A maioria das gestões de governantes reeleitos não passa de uma dose de café requentado.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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