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Brasil Importadores temem aumento de imposto em carros híbridos e elétricos

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Número de modelos disponíveis deve ficar próximo de 100 até o fim de 2022, com a chegada de 30 novos veículos eletrificados.(Foto: Reprodução)

A disponibilidade de carros no Brasil anda tão abaixo da demanda que o empresário José Luiz Gandini, importador da marca Kia, mal consegue ver os veículos que chegam da Coreia.

“Basta o navio encostar e o carro já vai embora”, diz. Não bastassem a escassez mundial de componentes, os cada vez mais elevados preços do frete e a alta do dólar, os importadores têm, agora, mais uma preocupação: a possibilidade de o governo elevar o Imposto de Importação de modelos híbridos e elétricos, que se transformaram numa especialidade das marcas sem fábricas no Brasil.

Hoje, o Imposto de Importação de modelos híbridos e elétricos vai de 0% a 4%, dependendo do nível de emissões e de economia de combustível. As alíquotas vigentes expiram no dia 31. O governo ainda não se manifestou a respeito. Nos bastidores, os importadores já ouviram integrantes da equipe econômica defenderem a elevação das alíquotas para 2% a 7%.

“Em ano eleitoral, vai saber a quanto o dólar pode chegar”, diz Gandini, presidente da Kia Motors no Brasil. O país não produz, hoje, nenhum carro 100% elétrico e apenas uma empresa, a Toyota, fabrica dois modelos híbridos. Os que defendem a elevação do imposto estariam se apoiando nessa produção local de híbridos para excluir a categoria da lista de exceções da Tarifa Externa Comum do Mercosul.

Se nada for feito – seja para manter ou elevar o tributo – o Imposto de Importação de híbridos e elétricos automaticamente subirá para 35%. E essa é a aflição dos importadores, principalmente os que dependem de produtos que vêm de países distantes. Desde que se tornou o importador da marca Kia, em 1993, Gandini costumava esperar, em média, 32 dias para um navio chegar da Ásia. O último lote que ele encomendou levou 96 dias.

Não é apenas a possibilidade de o Imposto de Importação subir que pode encarecer os carros que vêm do exterior. Frete e contêineres estão muito mais caros. Gandini depende deles para trazer da Coreia as peças utilizadas na montagem do caminhão Bongo, no Uruguai, em uma fábrica que pertence à Nordex, uma montadora local e parceira do grupo brasileiro.

“Eu costumava pagar US$ 1,8 mil por um contêiner que traz peças para montar 5,5 caminhões. No último paguei US$ 3,8 mil e o melhor orçamento que encontrei para 2022 foi US$ 14 mil”, destaca o empresário.

A demanda por veículos importados mantem-se aquecida, sobretudo, pelas novidades na linha de elétricos e híbridos. Dados da Abeifa, a associação do setor, mostram aumento de 16,8% nas vendas de importados em novembro na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Em geral, os importadores se especializaram em carros eletrificados não apenas porque atuam em segmentos de luxo e também porque as fábricas de onde saem a maioria desses veículos estão programadas para parar de produzir carros a combustão por volta de 2030 a 2035.

Com as novidades em híbridos e elétricos, Gandini faz planos para mais do que dobrar as vendas, passando de 5,5 mil em 2021 para 12 mil em 2022. Ele se programa para que os novos lançamentos sejam praticamente todos híbridos. É claro que esses planos estão condicionados à oferta de produtos e ao impacto do aumento de custos nos preços. E, como ele bem aponta, lembrando que estamos falando de um ano eleitoral: “Vai saber a quanto o dólar pode chegar…”

No Brasil, a indústria automobilística continua com problemas de  abastecimento de componentes, principalmente semicondutores, um obstáculo que tende a se alastrar ao longo de 2022.

Ao divulgar seu balanço mensal, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) considerou o momento atual como “a maior crise de oferta da história do setor”.

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